Bem mais que bunda

5.04.2016 -


"e tem a bunda mais bonita do universo, que com certeza vale mais que caráter"

Foi o que ele tinha dito numa daquelas conversas onde eu rancava atalhos pro meu coraçãozinho enquanto ele, pacientemente, dava sinais recíprocos. E eu que sou dessas orgulhosas que a combinação bons genes +corridinhas tem feito no meu corpo até sorri na hora. Depois de unir as palavras gostosa, bonitona, gata pra cacete e afins, sempre logo depois de cada uma das razões para me dar o fora, conclui: ele me viu depressa demais. Tivesse parado um pouquinho mais para avaliar a quantas meu peito acelera a cada minuto ou o tanto que eu conhecia de mundo, teria visto que existe conexão entre cérebro, quadril e peito - bem além do que ele conseguia visualizar.

"caso tu ainda queira tomar um Mocha Branco e tentar me ouvir calminha e zero agressiva, fica o convite"
Disse eu, remando sem saber pra uma correnteza ainda mais longínqua; numa última tentativa de reanimar qualquer afeto já esboçado. Mas a real é que uma das únicas coisas que ele sabia a meu respeito era o sabor favorito do Starbucks. Por que eu quis? Nada, porque toda vez que falava comigo precisava ser às pressas, urgente e em muitas outras respondia apenas quando podia. Até aí, nada de surreal. Porém, se conhecer o outro representa toda uma infinidade, como fazer sem cautela? Digo: se você foi a dois ótimos encontros e iniciou toda uma ponte, por quê saltar num bote e me deixar à deriva?

"mas cara, é isso: sempre falando que tu é gata, é gata, é gata. disso a gente já sabe! ele teve sensibilidade de perceber que tu também é uma gênia?"
E como minha melhor amiga, ela geralmente dava puxão de orelha. Dessa vez, fazia coro a umas outras duas que me até me condenavam, mas o viam como ainda mais vilão. E todos aqueles dias conversando? Poxa, mas e quem TATUA coisas bêbado? Faltou sensibilidade. Exato. Gênia ela, dificilmente. Porém, de fato: perguntava pouquíssimo sobre como eu andava e o que tinha feito. A quantas estava aquele possível emprego ou o novo romance. Aliás, sequer sabia que eu andava escrevendo algo. Na maré alheia, a gente só vai até a profundidade que o outro permite.


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