Perguntinha

11.04.2015 -


Ei, você. Eu quero perguntar uma coisinha. Só uma, é rápido, é indolor: você não cansa? Sério: você sente seus pés inteiros e arrojados e suas batatas da perna leves, velozes? Você sente o seu coração flutuando, feito barquinho num mar de mesmices tão superficiais que se morre fácil de tédio? Você guarda aonde a exaustão, o combustível, as frases não ditas dessas relações todas onde é preciso fingir, tapar, enganar, silenciar pra que se siga na cabine de controle?

Pois eu ando exaurida de tanto nada. Fatigada dessas mesmas medalhas que compartilhamos pra subir no ranking de criaturas mais blasés e vencedoras por frear sentimentalismos. É como correr uma maratona de 6 km atrás de uma segurança que nunca aparece. É o afogamento lento de uma trilha de aventuras, cheiros, corpos, pequenos lugares no corpo alheio que a gente deixa de investigar porque aprendeu que o medo é algum tipo de certeza.

Antes apanhando de uma ciranda de situações que tendo que calar fechar num calabouço da mais alta torre de mim mesma todos os desejos que queimar nas bordas para não acertar logo o centro de tudo. Antes seguir logo pra uma próxima, ainda que doa, que aprender a se situar numa passivo-agressividade amorosa que nada tem a ver com a minha espontaneidade sedenta por mais vida. Você se sente mais bem disposto ao fugir de todos as paixões que poderiam ter florido com alguma paciência, é isso? Depois não diga que eu não perguntei.

0 Comentários:

Postar um comentário