Sufragistas: músicas para homenagear as conquistas do voto feminino

10.12.2015 -


A luta contra a desigualdade entre homens e mulheres ainda não teve fim, mas é fato que a situação melhorou muito no último século. Há não tanto tempo assim, o sufrágio feminino – direito de as mulheres escolherem seus representantes por meio do voto – nem sequer era realidade. Esse direito só foi conquistado pelas brasileiras recentemente, em 1932, pelas americanas em 1920 e pelas inglesas em 1928. As suíças votaram pela primeira vez somente em 1971. E, é claro, com muita luta envolvida.

A origem dos movimentos por direitos vem de bem antes, em torno do século 18. Considerada uma das primeiras sufragistas, a segunda primeira-dama dos EUA, Abigail Adams, escreveu ao marido, John Adams, uma carta em que dizia “estamos dispostas a nos rebelar e não obedeceremos nenhuma lei à qual não tivemos voz nem voto”. Apesar da ameaça, o marido sequer a ouviu – assim como todos os homens da época. Filósofos como Herbert Spencer não admitiam nem a hipótese de a mulher estudar, que diria votar. “Cansar demais o cérebro produz moças de busto chato que jamais poderão gestar uma criança bem desenvolvida”, dizia ele.

Mesmo entre os defensores da abolição da escravatura, nos EUA, as mulheres não tinham apoio. Inconformada, a escritora Elizabeth Cady Staton organizou, em 1848, a primeira Convenção dos Direitos da Mulher, realizada em Nova York, lembrado hoje como marco inicial do movimento sufragista americano. Ali foi escrita a Declaração dos Sentimentos, uma versão feminista da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que começa com a frase: “Acreditamos serem estas verdades evidentes: que todos os homens e mulheres foram criados iguais”.

A sociedade, como já era de se esperar, recebeu mal o anseio sufragista. Mulheres agredidas nas ruas, insultadas pela imprensa. Mas apesar do preconceito, elas foram em frente e, em 1851, reuniram-se para a Convenção de Ohio, onde a defesa do voto feminino foi, de uma vez por todas, alardeada para o mundo. A responsável foi a ex-escrava Sojourner Truth, ao subir na tribuna e dizer as palavras até hoje repetidas em reuniões feministas do mundo todo. “Olhem para mim. Olhem para o meu braço. Eu lavrei a terra, plantei e juntei tudo no celeiro e nenhum homem poderia me liderar! E não sou eu uma mulher?”, disse.

Já as inglesas foram muito mais radicais. Lideradas por Emmeline Pankhurst, fundaram, em 1903, a “União Social e Política das Mulheres”, que recentemente a Scotland Yard, a polícia britânica, classificou como a primeira organização terrorista do país. Não é para menos: sob o lema “Ações, Não Palavras”, as suffragettes, como eram conhecidas as integrantes do WSPU, imprimiram um ritmo violento à campanha pelo voto. As ativistas chegaram a incendiar um posto de correio, apedrejar as vidraças da Câmara dos Comuns e dar fim a um ato suicida.

A Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, foi decisiva para as mulheres: obrigadas a ocupar os postos de trabalho deixados pelos homens, elas não voltariam mais a posições subalternas. Nos Estados Unidos as primeiras eleições com a participação das mulheres ocorreram em 1920 – mais de 50 anos depois de os escravos libertos adquirirem o direito de votar.

É claro que um momento histórico tão importante como esse não poderia ser esquecido. Em homenagem às primeiras suffragettes, preparamos uma playlist celebrando a emancipação feminina e a conquista dos direitos que vem se consolidando cada dia mais. Ponha os fones de ouvido, prepare o coração e vem se divertir com nossa seleção girl power de músicas!




Original em: http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/curiosidades-historicas/2015/10/08/sufragistas-musicas-para-homenagear-as-conquistas-do-voto-feminino/

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