Procura-se

10.19.2015 -


Se alguém souber o que anda acontecendo na seara do amor, pelo amor de deus, me explica? Passei a tarde conversando com duas amigas incríveis que merecem muito mais e nada menos que rapazes incríveis beijando os pés, a nuca, o corpo inteiro antes de dormir. A quantidade de meninas fantásticas que conheço e que estão sozinhas me assusta - não que as garotas comprometidas falhem em algo, nada disso. O susto aqui é inteiro por não saber se existem caras à solta e à altura (não física, isso é problema meu) de mulheres independentes, volúveis, espertas, sagazes, vulcânicas. 

Me frustro junto com cada uma das amigas que tenta aqui e ali uma sorte amorosa condizente com as previsões de Susan Miller - e, nada acontece. Frustração pós frustração, fecho os olhos para fingir que mal vejo tanto poder criativo e uma baita vontade de amar alguém se enfiando em casulos pessoais para não sofrer. Elas deixam de sair, param a bebida, esquecem a sensualidade no guarda-roupa do quarto e acham melhor ostentar o ar blasé dos despreocupados de coração vazio, livre e compatível apenas com levezas. Eu me frustro um pouco porque reluto a estreia numa seita dessas onde seria mais que lobotomizada, mas, infinitamente infeliz.

Caras bacanas: por onde vocês andam? Moços onde há ainda um espacinho aí no coração: cadê? Que praias vocês visitam? A que exposições tem feito fila? Há algum bar onde babacas não enviem apenas bebidas e olhem de longe com olhar faminto e cheguem junto para conversas amenidades em noites abafadas? Venham em seus carros um pouco velhos, cheguem de bicicleta, salvem as donzelas indefesas que são algumas das minhas meninas prediletas do mundo desse tédio enlouquecedor que é se relacionar com parasitas emocionais.

Me incluo nesse manifesto, aliás. Nessa busca desenfreada e que apenas anda quando a gente meio que desiste. A gente quer mais que esses namoros padrão onde tudo cheira um pouco a mofo e comodidade;  é tão difícil ser amigo e transar direitinho? Complicado demais nutrir algum laço, em fita mimosa ou barbante mesmo, não importa - qualquer ligação que nos transforme menos numa vagina ambulante e mais em uma potencial companhia pra quando a insônia marcou horário? Surjam de terras longínquas ou de cidades vizinhas, mas façam com que estanque esse desperdício de bons looks, metáforas e disponibilidade vã. 

Se alguém ainda tiver qualquer palpite sobre a atual situação do amor no mercado econômico dos héteros sofrenildos dessa São Paulo fria, me avise. Sigo quase enclausurada, assistindo às companheiras de sandice desejarem mais racionalidade e menos aventuras, o que me entristece. Eu me nego a acreditar que todos os barbados por aí prefiram a monotonia bege das garotas milimetricamente comportadas que sabem o limite e param sempre antes de suar um pouquinho. 

3 Comentários:

  1. Lindo texto,me identifiquei. Parabéns :)))

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  2. Amei! Com certeza vai pro meu post de "vi por ai" essa semana ♥
    Beijão, www.desapegaadri.com

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  3. Me incluo nesse manifesto! E enquanto isso vou vivendo, sem medo kkkkk

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