Khloe é minha favorita

10.15.2015 -


Hoje no banheiro, enquanto secava o corpo e vestia o roupão rosa-choque demais pros meus vinte e três anos de idade, discorri mentalmente sobre a verborragia cagada que Amy Schumer soltou na abertura do último SNL americano. Afinal, além de gostar um pouco da comediante, é de conhecimento geral que das Kardashian, Khloe é minha favorita - já, inclusive, quase comprei camiseta em inglês que estampa essa frase por aí. Gosto da família cheia de Ks, não nego, muito menos escondo ou sinto vergonha: alguma familiaridade com seus corpos cheios de curvas, relacionamentos fracassados e dramas familiares me capta e sinto mais admiração que ódio cego.

Portanto, pode a mais engraçada das irmãs resolver querer ser mais que apenas motivo de boas piadas e ir atrás de um corpo saudável, mente mais sã e, por quê diabos não, beleza? Se for do seu querer, deve, aliás! Dá pra imaginar os anos e anos que passou sendo chamada de "a irmã mais feia do clã", "a Kardashian gordinha", "aquela destrambelhada"? Super consigo. Compreendo e acho natural que ela queira, ainda que um pouquinho, sentir a luxuria dos comentários elogiosos que recebiam as irmãs da bunda mais bela da galáxia ou do corpo esguio de modelo. Amy, optar por secar uns quilinhos ou comer com mais saúde é sinal de que a bonachona Khlone não mais existirá? Duvido.

Compreender a amiga aí do lado, que também sofre ou já sofreu por ser grandona demais, ter flacidez em excesso ou oleosidade pra dar e vender é questão das importantes - e respeitar o momento de cada mina como se fosse nosso é bem mais empoderador que apontar dedos e promover julgamentos públicos. Senhora, você realmente sabe onde começa esse seu ranço quando o assunto são as mocinhas de quadril avantajado e cintura fina, senhora, o que diabos elas fizeram ou deixaram de fazer para receber tanto nojo, desprezo - ainda que sejam quase todas cases de marketing, inspirações de moda (sim, lidem com isso), modelos possíveis de corpos femininos - ou, pena? Ok, nenhuma das seis se formou em medicina, fez doutorado em Harvard e descobriu a cura da Aids, mas, senhora: não é preciso rebaixar alguém para elevar a si mesma, alô, Terra chamando.

Vejo graça em seletos gracejos da moça Schumer, contudo, rio com os impropérios e atitudes descabidas da Kardashian que gostaria de ser. Fácil discursar sobre feminismo para uma plateia sedenta por piadelas que envolvam outrem, difícil se livrar do ódio e vestir carapuça, segunda pele e o íntimo da outra que insistimos em atingir. É final de dia, chego em casa e desmonto toda a vestimenta que me acompanhou ruas afora. Talvez procure online novamente a tal t-shirt que avisa que Khloe, com toda sua volubilidade e descaramento, é minha preferida. Torçamos para que Kim não queira chorar num cantinho.


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