Priti,

8.30.2015 -


Amiga que é amiga dá bons conselhos, e dentro dessa chave não concorrem apenas frases bonitinhas e elogios. Demorei pra aprender isso, porém, sei que quando você tenta abrir meus olhos é bem mais por ser quase uma irmã mais velha que por sadismo - aliás, não acho nunca que seus pitacos chegam ácidos de maldade ou em horas impróprias para menores: sei que você fala com a dor dos que também se machucam com tanta verdade. 

A gente paga um preço caríssimo por não se esconder quando o chumbo aperta, mas fiquei feliz em ouvir que "O dia em que tu parar de focar em homem, tu deslancha". Podia ser de forma alegre, porém, meus aprendizados chegam bem mais de uma fábrica de quedas e roxos no corpo que de lições pensadas e articuladas no racional. É engraçado que, ainda que esteja quieta, limando o assunto "caras" das minhas conversas, em casa em sábados à noite e de ressaca de um monte de rapazes de papos iguais e atitudes esperáveis, tampouco estou feliz. 

Respondi com realidade: é justamente por não procurar um pouquinho de amor em cada criatura que despende meia hora do dia pra me dar um teco de atenção que sei que não ando bem. Contudo, talvez seja pra isso que os períodos flats venham vez que outra; pra que descanse da maratona absurda que é ignorar fulano, ir atrás do ciclano, esperar beltrano - participar dessas jogatinas que mais parecem jogo de paintball e acabo sempre baleada, deixando o campo de batalha cedo demais ou me recusando a morrer um pouquinho, ainda que em frangalhos.

Revisito minhas memórias, vasculho uma culpa que a psicologia atribuiria a meu pai, não acho nadica de nada, a não ser: papai é de família portuguesa e fechada, e do jeitinho que lhe coube, dá carinho aos poucos e em conta-gotas, com certeza se atrapalhou na curva em que os filhos crescem e algo nosso ficou por lá. Porém, tive uma infância mais que feliz, de menina mimada. Hoje anda difícil encontrar quem pare pra emendar uma brincadeira na outra, presenteie quando menos mereço algum crédito, ria do meu mau-humor matinal. 

Priti, nem tenho incluído os machos na pauta e isso ótimo. E você ter me feito dar conta disso é excepcional. É igualmente bom conseguir focalizar meus objetivos com listas que são feitas de mais dinheiro, vida saudável, objetos que deixariam meu quarto mais harmonioso. Amiga que é amiga precisa dizer as coisas e minha sinceridade é quase dessas que queimam, mas ó: sei que enquanto eu discorria em excesso sobre homens e agia em dobro, você se continha e evitava o assunto. Segue assim. Continua muito diva sendo um exemplo de moça possível daqui uns anos porque enquanto a gente encuca com umas palavrinhas aqui e outras ali pra um texto bonito, eles mandam mensagem. Reaparecem de outro planeta. Estabelecem contato por telepatia. Vai por mim. 



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