Agosto,

8.23.2015 -



Faz parte do meu auto-engano: todo mês oito, as mesma balela. Abro o site da Susan Miller e creio feito devota em cada encontro cósmico e dia para circular como especial dentro do textão místico. Pouco me importo de dar uma olhada nos demais signos do zodíaco; se Áries estiver decente e prometer um novo amor de cruzar labaredas virando a esquina, tá maravilhoso. Caso a promessa de alguma grana extra ou emagrecimento esteja na lista, ótimo também. Mas agosto, agosto sempre deixa o amargo dos dias passando entravado na minha goela.

Há gosto pra tudo por aí: temos quem considere a volta da Ditadura Militar, conhecemos, com certeza, criaturas que amem passar domingos ensolarados enfurnados na companhia no próprio Netflix ou no shopping, existe uma galera que troca a vida de solteiro por nadinha nesse universo - até o sexo esporádico e casual passou a ser adoração pra esse povo independente. 

Ao gosto de tantos fregueses, é como se meu café viesse sempre gelado, sem canela e com o nome grafado com K e dois L's no Starbucks do destino: deixo de receber dias bem gastos ao sol, sou obrigada a aguentar protestos na esquina de casa, até já faço parte da matilha que se acostumou com sexo aqui e ali, contato pouquíssimo e peito trancafiado. Agosto, o berço dos virginianos, é sempre um combo de trinta dias - ou quase isso - onde sou obrigada a reaver metas, ajustar o cardápio, desacelerar o ritmo (sempre) frenético.

À contragosto, lido com uma burocracia por dia, enfrento uma chatice por semana e me programo pra uma vida mais hippie e florida no setembro que logo vai espalhar polem e abrir os coraçõezinhos por aí. Enquanto não saímos das curvas redondas e infinitas do oitavo mês, peno em ajustes, piro nos detalhes, renasço. Vai ver é porque adoro uma loucura, mas prefiro gatos. Nada pessoal. 




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