Se toca, miga

4.20.2015 -

A imagem é da ELLE americana: http://goo.gl/yslBLq/

Por que você deveria se masturbar – e, nesse caso, “porque sim” não nem de longe a única resposta.

Esse post ficou parado na minha tela alguns dias. Falei com mulheres mais fortes, amigas próximas, com a minha santíssima mãe. Cheguei a conclusões que há algum tempo venho desenvolvendo e fiquei mais tristonha que tranquila com o ouvi. A verdade irrevogável é que precisamos nos tocar, minas (pra ontem, é sério). Todas possuímos – ainda bem! – um órgão reprodutor chamado: vagina (nome esse que não é pronunciado por muitos e é visto com nojinho por um montão de gente ainda, infelizmente). Você já experimentou olhar por que existe aí, no meio das suas pernas? Nunca? Eu garanto que a experiência vai ser muito mais positiva que negativa, tente. Eu recomendo.

Talvez algumas gurias pensem: porra, mas e precisa mesmo falar isso? Eu mesma levanto a mão e me dou licença pra responder que, sim, ainda hoje em dia, é necessário. A quantidade de amigas que não praticam, não conseguem chegar lá ou não "fazem questão" de se tocar é algo que tem me abismado. Sexo é dos meus assuntos favoritos e algumas dessas meninas ainda não se sentem à vontade pra falar sobre contracepção, posições, pintos e depilação. Acontece. Mas, na minha humilde opinião, não deveria.

Aberta a todo tipo de conversa, minha mãe fala sempre que eu "só penso nisso" e "sexo não é tudo nessa vida". Verdade, admito. Fica difícil, porém, dizer que não faz parte de uma parcela bem legal dos dias que nos proporciona trocar fluidos, se autoconhecer, desopilar das obrigações do dia, se divertir. E nesse caso, quanto mais gurias desmitificarem o ódio, temor e vergonha que sentem pela própria boceta, melhor; pra elas mesmas, pra suas relações, pra mim - que não vou mais ser TÃO julgada -, pro mundo, que vai enfim ganhar mais adeptos ao time dos relaxados, desencanados e aproveitadores de boas fodas.

Fomos condicionadas, talvez pelo patriarcado, quem sabe pela mídia ou mesmo nossos pais ou pelos coleguinhas meninos da escola a achar que nossa periquita era algo sujo, feio, nojento e assim, evitamos tocá-la se não for pra limpar o xixi ou lavar na hora do banho. Era normal os guris desenharem pintos nas classes, na última folha do caderno, no braço do amigo de zoeira. Ou seja: enquanto os caras sempre foram impelidos e encorajados a ter orgulho e adoração por seu pau, nós garotas somos super incentivadas a nunca nem conhecer uma anatomia composta por clitóris, grandes lábios, pequenos lábios, vulva e afins. Em tempo e pra mim, isso acabou há algum tempo, ainda bem.

Eu poderia listar infinitos motivos pra que uma moça, qualquer uma, novinha, já não tanto, adolescente, idosa, em tempos de menopausa, tire a calcinha agora mesmo e fique completamente à vontade: você dormirá melhor, saberá onde ficam suas zonas erógenas e como explorá-las. desenvolverá sua imunidade um pouquinho mais, ficará longe das infecções urinárias, terá mais facilidade a chegar ao orgasmo (é incrível que em pleno século XXI muitas e muitas mulheres nunca tenham tido um, de verdade), se sentirá mais leve e feliz. Irá, finalmente, saber do que gosta, no que pensa e o que a transporta para outra dimensão.

O melhor nisso tudo é que é esse é um esporte sem regras ou competitividade. Cada uma pode ir no seu ritmo, com ou sem acessórios e gels que ajudem, assistindo ou não a filmes eróticos, acompanhadas ou/e principalmente, sozinhas. Com algum som que arrepie os pelinhos da nuca ou no mais gostosinho silêncio, na penumbra ou de luz acesa. Há as que encontrem seus caminhos mais facilmente, há quem demore um tanto mais para se desbloquear. É feito trair - dizem, não possuo experiência nessa seara - e coçar: é só começar. Tendo chegado à reta final e completado o percurso uma primeira vez, é bem provável que exista uma segunda, terceira, quinquagésima. 

Vai miga, se toca. Pode ser no banho, no sofá da sua sala, no conforto da cama em seu quarto. É importante, é ter poder sob o próprio corpo, é uma experiência bacana. Não é vulgar, não é coisa do capeta e muito menos depravação - e ainda, que seja? - se foder, quem diria, pode ser bom. Se ama, gata. Caso o cara com quem você se relacione veja isso com maus olhos, be atention, be careful: por que é que menina não pode gozar sozinha, oras? Esse é só mais um passinho prazeroso no caminho pra ser plenamente feliz: primeiro sozinha, com os outros depois. A ordem é essa.






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