Amiga minha? Amiga minha, não

4.08.2015 -

Oi, seu lixo

Faz uns meses que eu já saquei qual é a sua. Não pensa que todos caem nesses papinhos de “vamos com calma” e “já me fodi muito nessa vida”. Eu já considerei muito, mas e quem não? Ela fraquejou, mas é porque estava vulnerável e contraiu essa enfermidade que se chama 'paixonite aguda'. Agora anda por aí, toda cegueta e de humor oscilante, entre a felicidade de quando o senhor aparece e o limbo que os seus sumiços a colocam. Fica fácil para você iludir tanto alguém que já está envolta no papel de trouxa cintilante que você fez questão de presentear – fingindo ser um embrulho desses pomposos, notáveis, difícil de achar por aí mas que na verdade não serve nem pra assoar o nariz na falta de algum lencinho. Eu tô bem ligada. 

Eu bem que tentei ir com a sua cara, mas desde o começo eu soube que era cilada. Vê bem, eu dei um voto de confiança: ah, vai que depois ele gama? Pode ser que ele se apaixone também, hora ou outra acontece. Vai com calma aí, miga, vai saber até que ponto vocês estão ligados, né? Mesmo depois daquela vez que você, babaca, a chamou pra sair e desistiu porque lembrou que precisava encontrar uns amigos da época do colegial. Ir buscar a avó no medico. Fazer mercado pro vizinho. Viajar de última hora pra puta que pariu (podia, viu?). Que ódio, cafajeste do inferno. Sabendo ser essa imundície em formato de pessoa, você seguiu nessas de não assumir nada pros amigos mais próximos, nunca falar em apresentar a família, comer a minha amiga só quando convir - ou melhor, quando você estiver a fim, largado no sofá, sem nada de mais interessante na pauta do dia. Um belo idiota você.

Teve aquela estripulia também, de você falar que a achava uma menina “muito legal, a única que mexeu comigo em anos” e sumir por quase um mês depois disso porque "se assustou" com a velocidade do barco - quem mesmo que comandava essa bagunça? Claro, você, panaca. Às vezes as pessoas ficam confusas, eu disse. Dá um tempo pro cara, tentei. Que erro ter deixado passar do meu radar de canalhas (afiadíssimo) alguém que exala tal podridão. Sabe por que ela evita nos colocar muito em contato? Justamente por isso: eu tenho pouquíssimo medo de fazer perguntas que alfinetem ou colocar na roda o que anda rolando, precisa ser dito; ela não quer perder essa "magia" que pensa que cês tem. Sim, essa lábia toda me enfeitiçou junto por algum tempo. Ao ver essa divina tão imersa numa glória tão purificadora, quem era eu? Outra trouxa que faz o cabível pra ver os meus caríssimos incontidos de alegria. Pena que agora acabou, otário. Ou melhor: felicidade sim, pois logo ela recobra a lucidez também. 

Ela nem vê, mas eu consigo prestar bastante atenção no calombo protuberante do seu nariz, no corte precário desse seu cabelo sujo, na dobrinha de gordura saltando calça afora, marcando as costas, por trás. Olha essas roupas, amigo. Algumas espinhas que revelam o fedelho que existe aí dentro ainda, sim. Todos os dias repito que por mais ticudo, bom de cama e cheiroso você seja (ou que ela acredite), ela acha alguém mais bonito, mais sagaz, menos enrolão. Mais estável e sem essa mania de querer todas e não ter de fato nenhuma, ninguém. Um homem. Das poucas certezas dessa vida, tenho pra mim que ela merece alguém que não exija tantos delírios e provas, tanta dedicação e insegurança. Você não tem vergonha de ser esse pedaço de bosta? Eu juro, realmente gostaria de saber. Dá pra deitar a cabecinha e dormir tranquilo de noite?

Talvez você nem saiba, mas ela sim já se envolveu com uma dúzia de palhaços tão convincentes quanto você, até mais, me arrisco a dizer. Ainda assim, tá aí essa santa dando chances, se colocando na linha de tiro, tentando, ainda que uma última vez. Você faz o seu número de fodão autosuficiente e nem aí pros assuntos do coração, sobe nesse picadeiro pra demonstrar o quão mongolão é por não "estar preparado" pra viver coisas ótimas do lado de alguém interessante, enoja uma plateia inteira dando em cima de amigas dela, sumindo duas semanas pra aparecer em alguma madrugada, expondo defeitos que ela nem ao menos possui pra ver se consegue inflar o seu ego com algumas palmas no final. Ninguém ri e acho legal avisar: logo perde a graça pra dona do circo também, viu? Falta bem pouquinho e - amém! - ela decreta falência desse deboche itinerante que nunca tem hora certa pra acontecer mas parar de  vez, se recusa.

Sabe qual a minha vontade ao ver essa sua cara de cínico e manipulador? É de dar um chute no meio das suas pernas e um empurrão forte contra a parede, de parar a balada pra discursar a sua derrota, de achar na lista telefônica o número da sua casa e ligar pra sua mamãe e avisar o homenzinho de merda que ela carregou e ajudou a criar. Sem consideração, sem honra, sem bom senso nenhum. Não faço nada disso mas digo aqui que é bom que pare logo com esse teatro, que deixe solto o caminho pra guria ser feliz, que ou suma de vez ou se santifique também pra chegar aos pés de uma pessoa tão boa e que tá longe de merecer tanta merda. Se bem que, acho difícil. Tão acostumado a usar nariz vermelho, uma mão-cheia de lorotas pra boi dormir e essa cara de pau que disfarça a criaturinha pequena que é por dentro, logo Lúcifer passa por aí e ou o cutuca pra ver se aprende, ou o leva.





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