2015, o ano em que parei de sair com babacas

2.10.2015 -


Tédio do cão. Eu poderia estar num bar enchendo a cara e escolhendo conversar com caras que sabem fazer boas piadas e bebem as cervejas certas, talvez eu estivesse passando o dedinho pra lá e pra cá no Tinder, brincando de deus como se fosse alguém pra escolher a sorte alheia na base do "tu sim, ele não". Inclusive, seria possível também me visualizar trocando ideias impublicáveis com rapazes de índole duvidosa que adoraria, até ano 2014, me envolver. 

Nato é o meu talento pra se aficionar no que pode dar errado: o foco passa longe dos quesitos normais como cor de cabelo, olhos, gostos e proporções. Porte é ótimo, presença me fisga. Mas a loucura, ah os malucos todos de carteirinha, eu sou um pouco fã da babaquice escrachada e penso sempre que dá pra livrar caras assim da mediocridade que escolhem viver. Lógico que é preciso ser um pouco doentinha também e sentir asco da bondade romântica daqueles que minha mãe adoraria ter de genro, nem preciso falar que a podridão por aqui se estende não em um dedo, mas pela mão inteira.

Se contar pouca gente de fato acredita que não sigo fazendo umas escolhas sem cabeça, nem pé e muito menos racionalidade, mas: tô eu aqui ouvindo Mac DeMarco, pensando no jantar e fazendo minha maratona do Oscar. Sem sexo, sem discussões acaloradas, sem detestar agora pra adorar daqui uma semana e pedir desculpas e mandar pro inferno. E ver esse ciclo se repetir fulo pós fulano. Sem, graças ao senhor, aguentar desculpas lixo, drogas ilícitas e egoísmo desenfreado. Eu decidi - ainda bem, graças a uma iluminação divina, acredito - que nesse ano quero saber antes se o cara é insuportavelmente idiota ou não pra saber a cor da minha calcinha no ouvido e alguns outros segredos.

Vejam bem: não venho aqui pregar uma santidade que em mim nunca existiu. Capaz, como eu digo aqui e quem não é do Sul fica sem entender. Mas, cês juram que a essa altura dos campeonatos todos eu me tornaria a chata moralista que não faz nem deixa os outros. Ao chegar nessa cidade que chama e oferece de tudo aos novatos, sai bastante, conheci uma pá de gente, transei, literalmente, pra cacete. Só quem sai do próprio ninho e se aventura nesse caos urbano é que pode julgar a forma como se busca suprir carências. Eu poderia ter escolhido comer chocolate, mas peguei logo de cara lojas de doces inteiras quebradas que nunca pude tirar da falência. Se entupir do vazio humano é sempre ir dormir com fome, aliás. Na marra, mas aprendi.

Foi divertido enquanto durou, foi uma experiência bastante empírica e realizadora, mas foi-se o tempo em que eu tirava mais proveito da situação que era tirada pra coisa qualquer. Passar de babaca para babaca requer um condicionamento emocional de quem faz mais agachamentos que a Paolla Oliveira por semana. Ao voltar das festas em família, prometi à Camila que não aceitaria mais mancadas ridículas, moços que dão bolo em cima da hora, rapazes que querem manter tudo às escuras, que trabalham tanto que mal devem ter tempo de tomar banho ou comem prostitutas. Tem sido uma limpa dessas de deixar buracos e faltas irracionais, mas posso afirmar que nunca me senti tão dona de mim, tão pacífica (sim) e centrada no próprio umbigo – por aqui, uma raridade. 

Tem nada a ver com se valorizar ou dar ao respeito. Mas sim, com o tal templo que é sagradíssimo e chamamos de corpo que a gente carrega por aí. Disse minha mãe há uns meses que talvez eu devesse preservar mais esse espaço tão maravilhoso ao invés de sair distribuindo convite a todos os aluados, irrecuperáveis e insanos que cruzam comigo por aí. Aqui, agora, entra apenas quem tira os sapatos, cava um espacinho para mim na agenda e no horário do almoço, trata bem garçons e manobristas, sente um puta orgulho de me possuir nas redes sociais, não some do nada e muito menos reaparece pra espantar a vibe e leve boa da vida. 

Não que esse meu tal santuário esteja entupido; pelo contrário. Porém, de que adianta um mosteiro cheio de barbados descrentes e rebeldes sem causa com vontade de nada nessa vida, sem responder aos chamados dessa senhorita e sendo sãos apenas quando convém? As portas estão abertas, mas agora é apenas pra quem me der sinais de fogo de que a senha merece sim ser dita. 

P.s. - Geralmente é a cor da minha calcinha. 

1 Comentários:

  1. Guria, acho teus textos incríveis e geniais! A facilidade que tens pra escrever é encantadora. Parabéns, sucesso e continua assim!

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