Um coração nada normal

7.09.2014 -

"To win a war you have to start one"

Eu tenho um grande problema que se chama: não conseguir esperar um filme que quero muito ver sair no cinema. Cato o link, baixo e assisto no mesmo dia. Com The Normal Heart não foi diferente. Quando assisti ao trailer, mesmo sem imaginar a intensidade da história, baseada em fatos reais, vi a minha curiosidade ser atiçada quase que de imediato. Uma pelos ótimos atores que compõe o elenco: Julia Roberts, Jim Parsons, Mark Ruffalo (muso mor) e Matt Boomer. Outra, pela temática: uma doença, um possível câncer na Nova Iorque dos anos 80 se dissipando entre a comunidade gay da época. Que enfermidade era essa capaz de matar amores, levar amigos e enterrar filhos quase nunca bem aceitos pelos pais? 

Como quero que o mundo todo assista, não vou dar de brinde spoilers sobre a trama. Entretanto, preciso contar que uma guerra começou a dividir os grupos homossexuais novaiorquinos da época. De um lado, New Weeks e sua turma extremamente preocupada em não propagar o vírus, pregando a momentânea parada das atividades sexuais e da promiscuidade entre os vários amantes do sexo livre. Ele se torna um líder que aposta na raiva como única forma de ir contra uma cidade, um estado e um país que não davam a mínima pra tantos e tantos falecimentos. Na outra fronte, gays que lutaram tanto para obter um pouco de liberdade perplexos por verem sua luta ser em vão, se recusando a deixar que uma doença parassem com o amor que compartilhavam por aí. O aumento do número de mortos ao longo dos meses, porém, fez com que a razão fosse dada à médica personagem de Julia Roberts, que vencera a polio anos antes e se dedicava a estudar com cuidado esse novo agente infeccioso que se espalhava pelos Estados Unidos.

A omissão do prefeito da metrópole, as adversidades do grupo que não desejava se nominar como gay, enquanto Ned dava a cara à tapa, ia a programas de televisão para tentar abrir os olhos do mundo para a causa e o desespero dos casais, familiares e íntimos de quem lutava para vencer o que hoje conhecemos por HIV marcam com intensidade as cenas do filme. Mark Ruffalo dá aulas de atuação gratuitas tanto nas cenas em que o ativista que vive se exalta, tenta convencer o irmão hétero a ajudar o movimento ou ajuda os já contaminados como nas aparições de nudez e sexo com Matt Boomer - ator este que é lindo de morrer e se torna irreconhecível já nos estágios finais da doença. Julinha também está maravilhosa, apenas pra variar um pouco: seu papel é fundamental ao longo da história e quando casa o personagem de ambos num leito de hospital é preciso segurar as lágrimas pra não desabar junto com todos.

A história é maravilhosa, bem costurada e inspirada em Larry Kramer, escritor que inspira Ned Weeks. Há algumas controvérsias quanto à realidade por trás do filme, as egotrips do líder da luta, seu discurso dúbio - ele escreveu, alguns anos antes de a aids começar a se propagar pelo mundo, um livro intitulado Faggots, no qual satiriza e expõe a comunidade gay e também uma peça para a Broadway, homônima e antecessora ao filme. Vale lembrar que Kramer já venceu um Tony Awards e está concorrendo ao Oscar pela película. Ryan Murphy, que trabalhou Julia em Comer, Rezar e Amar foi o responsável pela direção. Jim Parsons, o tão querido Sheldon de The Big Bang Theory trabalhou na peça de mesmo texto, que teve várias adaptações fora da Broadway, em Londres e Los Angeles, nos anos 1980, foi escalado para o mesmo papel de ativista gay.

Sensível, emocionante, intenso, um soco no estômago (extremamente necessário): eu me apaixonei por cada pedacinho do enredo. Espero que vocês também. 







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