Miga: age

7.17.2014 -
Fridinha decididamente foi uma mulher que soube pintar o que ia rolar na própria vida também

Vou dizer pra vocês que ando meio chocada. Não sou a rainha das amizades, todas as poucas que tenho considero as preciosas que ou ficaram, ou voltaram ao longo dos anos. Dou graças por ter me afastado de uma galera e acho louvável que tenha percebido que amiga serve para cada tipo de ocasião - porque, sim, a mesma amiga de balada dificilmente é a que curtimos falar sobre moda, por exemplo. Porém, na hora que a coisa aperta, tendemos a apelar pro ouvido das mais próximas: seja a querida que compartilha do mesmo gosto musical, seja a dita que a gente não vê há um tempo mas conversa online o dia inteiro, até mesmo a parceira de molecagens na infância a gente chama quando a barra anda insustentável. E as garotas, eu me espanto em dizer isso: as gurias não agem.

As reclamações vem em peso, como numa enxurrada, feito chuva torrencial: tem aquela amigona que quer sair de novo com o cara, já ficou algumas vezes e é tudo ótimo. Porém, agora eles não se veem há umas semanas. O que ela faz? Chora, esperneia, chia, manda trezentas mensagens enquanto você tá no médico, mas espera sentada. Faz porcaria nenhuma. Enche os ouvidos das miguxas. Em vão. Uma que quer emagrecer mas continua comendo um pacote inteiro de Negresco todas as tardes, a que amaldiçoa a celulite mas se recusa a se matricular numa academia, a que abre o berreiro por não ter nenhum boy pra de vez em quando, ninguém atrás dela, mas que fica enclausurada lendo e indo dormir cedo enquanto o mundo inteiro vive de janela pra fora. A outra que se relaciona há meses com homem que não se posiciona - mas ela mesma não pega e diz: é isso ou aquilo, e aí? e sofre e sofre e sofre - e a querida que namora um rapaz que a maltrata, mas é amor gente, como viver sem uns tapinhas e alguém amando, odiando, espancando e levando a autoestima pro saco (de pancadas, dele próprio), né?

Melhor sempre ficar levando a minha em banho maria que ir lá e apostar alto, levar o cano, ouvir o não. Mudar atitudes, largar um "QUE SE DANE", ir procurar algo melhor ou, simplesmente, fazer qualquer coisa que seja que promova mais agilidade e menos perda de tempo. E aí é que eu me irrito. Me foge qualquer mísera compreensão. Afinal, faço terapia há mais de dois anos para, quem sabe, um dia, conseguir viver numa versão mais branda da que funciono: sem agir duas vezes antes de pensar. Me embanano, meto os pés pelas mãos e nem sempre dá certo ter a cara tão à tapa esperando que todos os tabefes venham em luva de pelica. Porém, contudo, entretanto: meu livrinho de histórias tá colorido, meio rabiscado, com as orelhas cheias de nó e um aspecto até mesmo moribundo, tão cheio de desventuras e peripécias; vivo.

Longe de mim vir aqui e querer imprimir um jeito novo que todas deveriam acatar para sempre a partir de agora. Nada, nadica disso daí. O que me intriga e, de certa forma, espanta, é talvez o freio que vejo tanta gente adquirir com o passar dos anos nas curvas desse autódromo que vem a se chamar vida. É uma colisão e tanto com meus impulsos e minha sede de acontecimentos, meu tédio latente, saber que a faca, o queijo e a mesa toda de café estão ali, esperando para serem usufruídos e tem quem prefira o mofo. Quando foi que as meninas decidiram que era mais viável trocar seus sentimentos e sonhos por dois pés tão cerrados no chão que só levantam voo quando permitido, quando existe no contrato uma cláusula que especifique a existência da palavra aceitação?

Às vezes, elas resolvem me pedir conselhos. Tudo que eu me limito a dizer é: moça, mas e tu, fez o que pra ajudar na tua própria felicidade? Vai adiantar ficar aí resmungando e odiando o mundo? Resolve esperar por algo que a gente, invariavelmente, não sabe se de fato vá ocorrer? E numa tentativa de fazer com que elas vejam as mágicas que ocorrem quando a gente deixa a zona de conforto, de repente vejo algumas delas subirem em seus próprios saltos e, donas de seus pensamentos, princípios e ações, começarem a colorir no céu um almanaque de situações ora maravilhosas, ora nem tanto assim - o que me importa é agora é que acabou chorare pra quem resolveu pegar as rédeas e decidir que caminho se desenha ao longo do próprio percurso.

Desculpem qualquer coisa, migas: assim como David Luiz, eu só queria dar um pouco de alegria para o povo brasileiro.

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