Eu voltei

5.20.2014 -


Fiquei um tempo sem escrever. Um linha sequer, nenhum amontoado de frases chave na caderneta que carrego na bolsa. Decidi, sem plebiscito algum, que tiraria umas boas férias das palavras que gotejavam na minha cabeça sempre antes de dormir. Não foi proposital mas, hoje, vejo que foi completamente necessário. Sou muito guiada pelo que meu íntimo evoca e dessa vez não tinha como ser diferente. Me permiti passar por inúmeras situações novas, repetir alguns erros, beber pra caralho, sair por aí sem rumo, varrer umas gentes da minha vida e ver como é essa parada de ser feliz sem tanta racionalização. Descobri: é bem possível.

Minhas frustrações, antes tão visíveis e expostas a quem quiser que lesse, agora ficam num cantinho arrumado onde posso empilhar uma em cima da outra. Consegui achar uma vaga pra relações que já foram numa aba de textos que agora podem ser publicados. Olhei mais atentamente para mim no espelho da academia e vi que dava sim pra escrever às vezes e malhar quatro vezes por semana e sair de sexta à domingo. Dá, tem que dar - e vai. Se estou aqui pra representar e doar minha voz ao eco de uma geração feminina, vambora antes que eu desista!

Mesmo com esse meu sumiço nada premeditado, incrível: as pessoas continuaram a me ler. A me compartilhar. E não me fizeram menos figura representativa mesmo longe ou sabe-se lá onde. Esse hiato foi ótimo pra cortar a faixa que inaugura, então, uma nova fase minha enquanto moça que vive umas paradas e corre pro computador pra desafogar. Até me dei ao luxo de vez que outra digitar alguns rascunhos, mas só então me sinto livre, solta, leve e preparada pra cagar pro que pensam fulano, ciclano ou parte da minha família que não conhece e bem menos entende do que se trata a minha escrita.

O que quero fazer dessa vida?, me peguei pensando esses tempos. Ia ser ótimo viver daquilo que muitos consideram um dom em mim e poder tocar o coração alheio ainda que via wi-fi. É maravilhoso poder dizer o que tantos não conseguem, como tocar no lixo algo que pela maioria é considerado uma dádiva? Seria uma afronta; e mesmo que eu dê um dedo pra não entrar numa batalha e depois de posta, uma mão para não sair do ringue, eu voltei. Agora, espero, pra ficar.

É ridículo porque este texto saiu, vomitado, em questão de 15 minutos contados até então. É uma babaquice eu começar a fugir do que representa algo sólido dentro de mim por causa de um tantão de medos que passaram a existir de uma hora pra outra. Sou o lixo de umas emoções embaraçosas, sou também o lixo de quem se sabe confiante porque tem um coração com capacidade giga e age do seu próprio jeito, sem medo do ridículo. Sou um apanhado de histórias que podem representar o que vocês vivem também e se no teatro eu sentiria uma vergonha tremenda, aqui ela morre, definha.

É isso, mundão: eu tô aí. Mais magra, mais rápida, mais ferina, mais arisca e boca aberta: agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar.

Pras coisas que eu deixei (incluindo esse pedacinho de rascunho aqui), eu voltei.



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