2013, seu fodido

12.27.2013 -

Não houve, até então, ano mais fodido que 2013. Digo isso com propriedade, uma vez que 360 e alguns dias não foram capazes de me mudar tanto quanto estes que passaram se arrastando, me maltratando e, por fim, moldando uma pessoa melhor. Eu, que na virada do ano passado desejei profundo e iluminei uma esperança ignorante nesse treze mítico depois do 2000, vi cair por terra a sorte toda que sempre depositei no número. Chamei de ano de merda já no começo, torci pra que voasse logo, mas, ao fim de tudo, é com o coração mais leve que me despeço de mais uma expectativa que alimentei e não vingou.

Foi difícil ultrapassar este ano depois de duas "boas" rotações da Terra pelo sol no currículo. Segurei barras pesadíssimas, passei noites em claro e tive que ocupar a cabeça mais do que nunca para conseguir sobreviver na selva que meus dias se tornaram. Na memória desta minha breve vida, ficará marcado como o período em que, duas vezes, preferi morrer porque a dificuldade do quebra-cabeça não suportava a minha cegueira infantil. A época em que descobri, pós-trauma, um transtorno que tratarei por boa parte da vida - a intensidade trapaceira dos meus altos e baixos, algo que se intensificou e hoje, medicada, mantenho sob controle.

Esses foram os meses em que pude me refazer, redescobrir e seguir numa jornada que talvez não faça o menor sentido pras pessoas, mas que, pra mim, agora soa como uma estrada com destinos finais. O tempo em que convivi com crianças maravilhosas que de uma forma, de outra ou de milhares, me encheram de tanto amor e foram protagonistas no meu processo de cura e aprendizado. A parte da vida onde pude apertar o pause e, de cima, avaliar a presença de cada um que julgava essencial no meu dia-a-dia: larguei mão de quem já não fazia tanto sentido pra abraçar com força aqueles que comemoraram cada passo meu como se fosse uma vitória própria. Fiquei mais perto da minha família e tive a chance de reparar erros passados e voltar pra debaixo das asas paternais diante do caos e, já de pé, depois dele também: como e por pura opção.

Apanhei, tomei uma surra da vida pra ver se crescia um pouco na marra. Vi minha autoestima ficar em frangalhos para lutar com a força restante numa batalha contra os pesadelos todos - o que, depois de instituir a academia como algo diário e a alimentação tomar um rumo bem mais saudável, está sendo completamente possível. Tomei porres, flertei descaradamente, transei sem medo, dancei pra caralho e, em caso de tédio, fiz algumas cagadas, é claro - esse adubo pra que as coisas deem fruto, floresçam e germinem. Levantei minha bandeira lá no alto, tão lá em cima, que trabalho diariamente no equilíbrio para que tudo continue leve, a flanar e com alguma diversão. E nem me atrevo a fazer muita graça, afinal, depois desse turbilhão todo; não é que deu certo?

O saldo final é que, mesmo 2013 sendo uma leva de semanas ruins, clareadas pelo sol desse final de ano onde me encontro mais magra, mais feliz e mais liberta, no final das contas o que resta é positivo e apenas a meu favor. Nesse quase-ano-passado, mais que em qualquer outro, me assumi, me fiz prioridade, me odiei com força por escolhas antigas e me amei com ternura pelos planos futuros, tão traçadinhos e certeiros na minha lista de resoluções para o 14 que vem ali, logo depois da curva desses últimos dias de reavaliações, resoluções e recomeços.

São tantos erres que até parece o Galvão chamando Ronaldo, o ex-Fenômeno, mas é apenas a minha vida na fase final desse projeto de construção inovador que se fez necessário diante de tantas demolições. É o novo acenando e a dor ali atrás, já pequenininha, feito cidade abandonada na vista quando o pé toca o acelerador. A parte fodida já foi, nos resta então brindar com champanhe e sorrir.


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