Garotas

3.10.2013 -

Era final do ano passado quando, três pessoas queridas muito próximas a mim diziam, nas mais diversas ocasiões: "tu precisa ver Girls, Camila". Ou "ainda não assistiu? sério, é maravilhoso, tu vai te apaixonar!". E aí que eu acabava deixando sempre pra depois, um pouco porque sou meio anta nessa coisa de fazer download pela internet; outro pouco porque o meu momento de vida não andava dos mais tranquilos. Passa, passa pela HBO, mas requer paciência até que chegue no Brasil devidamente legendado - e admito aqui, meu inglês não anda lá essas coisas e como as garotas falam rápido demais, usam gírias e fazem piadas, não consegui acompanhar as vezes poucas que tentei assistir como uma fidelíssima americana.

Numa tarde qualquer, já terminada a primeira temporada, resolvi sentar e com cautela baixar os episódios de meia hora cada, um a um. Assisti o primeiro. Compulsivamente, enquanto o próximo ia sendo direcionado para a pasta "Downloads" do meu pequenino computador, prestei toda a minha atenção aos dramas comuns a meninas da geração Y - coincidentemente, a minha. Tem, tem sim pais que cortam a grana de jovenzinha recém graduada, casal de quase quatro anos totalmente desgastado onde o cara ama mais e é bonzinho, menina de 21 virgem que esconde isso das amigas. Tem chefe que se passa e abusa do poder (no sentido físico, se é que me entendem); tem babá que deixa rolar a atração que sente pelo pai da família a que presta serviço. 

E crise entre amigas de anos, e ex-namorado que se declarou gay, e o desafio todo de ser mulher com 20 e poucos anos numa cidade grande, que no caso é nada mais que Nova York. Tem as american parties que fazem a gente sonhar um pouquinho em se mudar pra lá e também tem momentos de cumplicidade que nos fazem parar e pensar: "porra, eu quero amigas assim. eu quero ser esse tipo de companheira que cuida mas também diverte; e que grita, mas logo depois dá um abraço e canta junto no karaokê".

A identificação foi instantânea, um pouco porque a série foge dos padrões perfeitinhos e glamourosos de outros programas com a temática feminina. Tem nudez, tem sexo de verdade, e tem, acima de qualquer coisa, a amizade entre quatro gurias completamente diferentes. Com um figurino atual e sem roupas e sapatos de marcas caríssimas, a trilha sonora é uma das particularidades que mais curto a cada semana: das músicas que animam as festas nova-iorquinas às de cada começo ou fim do programa, logo quando acabo de ver a série corro para catar por aí o soundtrack do último episódio. Sim, eu estou muito apaixonada  por Girls e acho que é pouco apenas 9 capítulos de quatro versões dessas histórias de moças como todas nós é pouco para cada temporada.

Garotas que fogem de um aborto enquanto as amigas esperam na recepção da clínica, garotas aventureiras que fazem o que bem entendem, inclusive exames e mais exames na ginecologista - tamanhas as paranoias em relação a contrair alguma doença. Garotas que aspiram se tornar escritoras, curadoras, consultoras de moda; qualquer coisa que fuja desses padrões todos que todos nos fazem engolir goela abaixo. Garotas com famílias desestruturadas, excessivamente protetoras ou uma mãe jovial demais e um pai que nunca aparece. Que casam em festa surpresa aos convidados, que transam com desconhecidos, que brigam com boy por diferenças políticas irrecuperáveis. Simplesmente, garotas - que dançam com a colega de quarto uma musiquinha animada qualquer enquanto narram as mazelas do dia, pra ver se espalham os pinguinhos de coisas ruins pelo apartamento e se enchem de uma alegria possível.


3 Comentários:

  1. O melhor é que comecei a assistir a série este fim de semana, e pensei isso tudo que você falou. Estou assistindo um atrás do outro, já no fim da primeira temporada.
    Não é uma série de modismos, nem grandes aventuras. É uma série com uma dose certa de realidade, bem pé no chão, de coisas que realmente nos acontecem. Dos medos, anseios, paranoias, que realmente sentimos. E dos contentamentos ingênuos, puros, simples.
    Adorei o texto ;)

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  2. Comecei a assistir Girls já tem um tempo e estou amando também. Acho que o diferente da série é que os personagens são muito ''reais'', coisa difícil de se ver na televisão. Você sabia que a Lena Dunham (atriz que faz a Hannah) é a criadora da série também? Muito talento!

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  3. Ca, essa série passou a ser uma das minhas preferidas! Assisti a primeira temporada em uma semana! É incrível a maneira como a Lena Dunham mostra a realidade crua das meninas, fazendo com que o público se identifique com muito mais facilidade. Adoro!

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