Barra

2.25.2013 -

De ferro: tá sendo essa a maior barra que já carreguei minha vida toda. Antes fosse de chocolate, tão fácil depois de um almoço qualquer abrir o plástico deslizante e saborear, tablete por tabletinho. Que nada. Que nada mais me atinja porque, francamente, a cruz tá mais maçante que o peso do mundo todo cheio de gente medíocre, falsária, inocente e arrogante, pisoteando as minhas costas enquanto tento dançar num cantinho de festa qualquer sem levar cotovelada.

Tem dias que arrasto esse pedaço de vida desflorada e quase vomito o desgosto desses dias intermináveis. O aparelho celular foi me tomado na esquina de casa, entendam vocês. Mas além disso tem as doenças todas, contas a pagar, família em guerrilhas constantes, curso incerto pra ser daqui em diante. Farei 21 anos dentro de alguns dias, e querem saber? Eu que me vire. É assim que vai ser daqui em diante. Desse modo que tinha que ter acontecido lá quando completei a maioridade. Fora o azedume do amor. Sem falar na internet, que onde escolhi para me reclusar ainda não instalaram. A única coisa que parece estar funcionando bem nessa vidinha que era mais ou menos - e que agora se tornou pesadelo - chama-se caos.

Ainda que fosse em pó, assoprava, esfarelava  faria migalhas dessa barra toda que tá dificílimo carregar sozinha, bymyself. É só se acostumar, alguns dizem. Questão de tempo. Porra nenhuma, eu penso. Até mesmo minha terapeuta concorda que as tragédias resolveram olhar no calendário e procurar todas datas próximas pra que a infelicidade se instaurasse por aqui. Tá pesado, digo eu do alto do meu salto, maior ainda. E me deixa arranhões, esfolados feiíssimos esse viver em pleno inferno astral a visão do universo macabro que Lucifer criou pra se refugiar.

Eu já fiz todos os exercícios possíveis, desde levantar o peso pra ver se me fortalecia até poucas séries que fossem, um pouquinho de cada vez, do jeito lento de quem tem muita preguiça disso tudo mas precisa atravessar pra ser alguém melhor daqui uns dias, talvez meses. A minha delicadeza é sempre cuspida no prato de porcelana em que alimentei uma vida a quem creditei ter como recompensa ao menos um sorriso, uma palavra carinhosa no meu ouvido pequenino, gélido.

Cada vez mais, sou eu por mim mesma lutando contra as adversidades que surgem, uma após a outra, às vezes grudadas, barras paralelas. De sabão, se fossem, daria pra esfregar logo na mão, uma na outra, para que se dissipassem enquanto as bolhas surgem. De espaço, talvez esvoaçassem pra longe. Se de manteiga, faria bolo, passaria no pão; em uma semana estaria sendo digerida pelo meu intestino frágil de mulherzinha que come pouco. As pessoas dizem que eu sou bonita, sempre. Como se estar bem vestida e com um sorriso forçado na cara me livrasse da angústia maquiada por dentro, do sofrimento de se esforçar tanto e ter que trabalhar toda uma força que nem sempre a gente é capaz de carregar sozinha.

Alguns falam em tormenta, prometem pra mim que quando passar a nuvem negra e uma chuva fininha começar a cair, que aí então tudo vai melhorar e eu vou poder colocar um biquíni, voltar a pegar uma cor, entrar devagarzinho no mar pra se acostumar com o frio da água. E até arco-íris poderá ter, me dizem. Mal sabem mas, sou do time de quem prefere que não me jurem coisa nenhuma; faço parte da galera que tem memória de elefante e que cria expectativas, cobra. Prefiro acreditar que talvez, essa fase negra toda seja um sol desses tão forte que nos obriga a fechar os olhinhos feito japas e que tudo melhorará, logo logo. Assim que o clarão se pôr no horizonte. Bonito, distante. Pra que as estrelas, quando surgirem, brilhem tanto que eu tire da coluna essa mochila de mala suerte e vá dançar. Sempre é possível.


7 Comentários:

  1. Comentei no twitter, mas acho válido comentar e reforçar por aqui. Essa tua fase não está boa e isso é visível, mas acredito que muito pensamento positivo e fé - mesmo de "longe", funcionam. Força, guria!

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  2. Estou numa 'maré' parecida... Que tenhamos força e paciência, guria! É o que resta...

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  3. Sabe, tenho passado por problemas parecidos. E parece utópico dizer que vai passar. As pessoas não aguentam mais ouvir lamentos, e a dor parece suportável, menos para quem a sente (acho que li isso numa citação). E como naquele texto da Tati Bernardi, sempre parece que se está mais triste do que da última vez, e que dessa vez é diferente.
    Creio que lhe entendo: tudo que eu queria era um pózinho mágico que fizesse voltar o tempo, ou um que avance no futuro onde tudo isso será apenas passado!

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  4. O que eu posso dizer é que estou torcendo por você, eu sei que dizer que o tempo cura tudo parece clichê, mais o fato é que o tempo cura, ou como diz Martha Medeiras " ele tira o incurável dos centro das atenções". Tenha fé uma hora passa.

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  5. Fato é que nas piores fases aprendemos em dobro, se não, somente nelas encontra-se o verdadeiro aprendizado. Por isso nunca reclamo das fases ruins e pode ter certeza que passa porque nada nessa vida é permanente! Respeitar o que se sente mas nunca esquecer que o foco mesmo em se fazer bem. Procura o caminho, o melhor. Sempre.

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  6. Aquele 'Stay Strong' de sempre, só pra deixar marcado aqui também. Pra mim, pra ti, pra nós. A torcida e a esperança seguem fortes, mas o mergulho no rio da paciência também não pode nos faltar. Imediatismo, se acalme. Força, se redobre. ♥

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  7. Camila, acompanho o blog já a algum tempo, e posso dizer que da da forma como você escreve e se expõe aqui,sendo sempre tão verdadeira, sinto que você é uma conhecida muito querida. Creio que algumas coisas na vida aconteçam pra que haja amadurecimento, mas espero que essa barra passe logo. Fique bem, querida!

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