Vocês merecem mais, gurias

12.04.2012 -

É o seguinte, então: a pessoa que vos escreve anda cansada, entediadíssima e perplexa de ver tanta guria bonita, com potencial felicidade, bom gosto, personalidade e cultura afundar o coraçãozinho em relacionamento cheio de mágoas, acaba e volta com um montareu de mágoas não resolvidas e complexos maximizados - tudo porque amam demais e se desvencilhar é uma renuncia "impossível". Poxa vida, eu penso. Elas tem espelho em casa? Tem. Possuem amigas para assegurar que as roupas estão decentes e que anda tudo em ordem? Sim, sim. Falta amor? O próprio, somente o afeto por si mesmas é que anda em precário na wish list das mesmas. Porra, tchê. Vocês merecem mais, gurias!

Algumas me pedem dicas. Mandam e-mails. Chamam no Facebook. Deixam mensagens. E, olhem vocês: também não sou seguríssima de mim mesma - quase pelo contrário. Toda segunda-feira levanto cedo e corro pra terapia, literalmente, pra ver se deixo uma semana pra trás e recomeço os sete dias de sanidade e ansiedade 0% pela frente. Ou visto uma roupa confortável e nem penso direito, abro a porta e vou direto para o calçadão com fones de ouvido colocar as ideias em ordem. Mas ah, quando some um tiquinho de amor por mim mesma eu trato logo de dar um jeito. Marco salão, compro um brinco, janto com amiga e tudo parece mais light, ligeiramente digerível. O que me foge a compreensão é essa aceitação de palavras escrotas, atitudes impensadas ou abusivas que sufocam a liberdade de uma vida por ciúme, possessão ou insegurança (nesses casos, do "outro").

Eu só acho que as pessoas firmam namoro atrás de alguma felicidade. E que mulher nenhuma deve ser desrespeitada e aceitar loucuras como apanhar, ser chamada de gorda, vadia e burra ou fingir que não vê traições, mentiras, e demais descaramentos ao optar por ignorar a grandiosidade da intuição feminina. E são mandadas a calar a "merda" da boca e silenciam. Ficam na espera de que o cara decida se quer mesmo ficar com ela ou comprar bicicleta, embarcar no próximo voo para Vegas ou sair com os amigos. Não me entra na cabeça como meninas tão cultas, perspicazes, autênticas e na maioria das vezes, bonitas, se permitam ficar socadas em casa enquanto o cara faz festa na rua. Deveriam nunca sucumbir à dependência amorosa, traiçoeira essa que faz perder o encanto e deixa pra trás o brilho de mulher independente do começo de relacionamento. Mas sabe-se lá como, aceitam.

Sabem merecer um dia-a-dia com mensagens amorosas e fotos enviadas pelo celular, ligações antes de dormir e boa companhia esporádica, mas optam por continuar numa vida mais ou menos de altos e baixos em que nunca se sabe até quando um próximo surto, possível xingamento ou saída às escondidas, enquanto ela está em outra cidade mesmo (e quem vai contar, né?). E passam a achar normal ligação não atendida - e muito menos retornada - quando ouvir a voz do outro lado da linha poderias ser alternativa boa pra salvação depois de um dia sufocante. Pelo contrário: desligam aparelho, ignoram mensagens, se fazem de desentendidos ou engrossam a voz quando questionados o razão por agir de tal maneira.

Não, gurias. Eu já disse, eu repito: mais, melhor, acima disso, é o que qualquer menina que quer se ver metida no amor merece. Sem encrenca, sem problemas a cada semana, sem brigas constantes que levam ao desgaste e fazem querer acabar tudo, insatisfeitas. Deveria ser um direito de quem se apaixona acordar feliz ao lado, com cafuné e abracinho domingo de manhã. Receber muito carinho até se sentir totalmente segura pra enfrentar os monstros lá fora. Caminhar de mãos dadas, sem vergonha se ela está com roupa que o cara ache feia ou cara de sono. Servir como amiga e companheira ao invés de só um saco fundo onde deposite socos, pontapés e seus problemas, descarregando a raiva do cotidiano.

E acima de qualquer coisa, de qualquer detalhezinho fútil ou norma de relacionamento nesses livros de auto-ajuda que vendem horrores, que o moço ame exatamente como a rapariga for, oras. Desde o dedão grande demais à mania de chatear com pequenas coisas de vez em quando. Da risada destrambelhada ao bom humor matinal, que toda mulher saiba merecer ser amada. Basta não se perder no caminho - nem se colocar em pedestal. Um olho na dosagem de amor dado, outro fincado no amor por si mesma, ingrediente importantíssimo de felicidade pessoal, única e intransferível. Ainda bem.

10 Comentários:

  1. Como sempre: parece que adivinha ou anda lendo pensamentos por aí (ou por aqui).

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  2. Maravilhoso Camila, toda mulher deveria receber esse texto como manual do ame-se!

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  3. Guria, um dos melhores textos teus, que eu já li ao menos, com tooooda certeza! Disse tudo, tudinho! Beijo

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  4. tava sumida... coisa boa texto novo e lindo! e é bem isso! parabéns! beijão

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  5. Que lindo Camila, acho que esse texto deveria ser lido por toda mulher no mundo. Afinal, você arrasou e disse exatamente o que precisava ser dito. hahaha esse texto fez meu dia, acredite!!
    Beijos

    • Adorável Rebeldia •

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  6. Tive que mandar o link pra uma amiga, precisava ler. Espero que façam efeito tuas palavras, hehe.

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  7. Uau, que textoooo! Amei. Lindo mesmo. Espero que as gurias e os guris que leiam isto, caiam em si e evitem ser tão medíocres. Que haja mais amor!

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  8. Triste mesmo é ver quantas gurias se submetem a tanta merda só pra não ficarem sozinhas, só pra não perder. Lamentável quem perde o amor próprio em prol dos caprichos do outro. ótimo texto Camila, como sempre. beijos

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  9. Nossa Camilia, esse texto é incrível, me ajudou muito em uma época que eu estava com muitos problemas, li e o reli não sei quantas vezes, esse texto está bem salvo nos meus favoritos para quando bater aquela insegurança correr para ler!!
    Só tenho a agradecer por esse texto tão bem feito!!
    Beijos Beijos

    http://lucyeasreticencias.blogspot.com.br/

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  10. Poxa Camila, te acompanho faz um tempão, sempre admirei muito a tua escrita e teu modo de pensar. Mesmo sem me conhecer você acabou sabendo muito sobre mim, tuas ideias sempre me davam uma nova perspectiva quando era mocinha, uma amiga me apresentou o seu blog há quatro, cinco anos atrás e sou imensamente grata por isso, na época até criei um blog e me inspirava em você, mas a correria da vida acadêmica findou esse hobby. Hoje já tenho outra cabeça, outras convicções e ainda venho por aqui ler um pouquinho das maravilhas que você escreve. Ler esse texto hoje era tudo o que eu tava precisando, muito obrigada e parabéns. Deus te ilumine sempre.

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