A gente só aceita o amor que acha que merece

12.25.2012 -

Chega de mimimi. Vamos parar com a sentimentalidade e ser por alguns minutos racionais e sinceras por aqui. Pensamos que ser boazinhas e bacanas é o que nos colocará um pedestal no relacionamento. Porém, além desse sentimento fracassado de santismo, o que sobra são reclamações, inadequações e uma infelicidade a dois que se alimenta desse desgaste, ao invés de evoluir. Projetamos no outro todas as nossas carências, falhas e "aquele vazio terminal" de antes do amor existir. Errado. Erradíssimo. Começamos a imaginar que príncipe encantado existe (no início do relacionamento é fácil, claro), e a ânsia de ser tratada como princesa é grande. Se torna uma filha da puta expectativa. E qualquer deslize é razão pra uma briga homérica, discussões sem solução e um vazio que volta a crescer, mesmo depois de achar a tal prometida metade da laranja.

Aqui, ó: no andar da coisa, esquecemos de ser nossa principal prioridade. Os olhos cegam para família, as amigas deixam de ser assim tão geniais e alguns lazeres pessoais e intransferíveis ficam no meio do caminho. Além de ficar mais fácil perder a paixão inicial, a centelha que riscou o fósforo e fez muita faísca um dia, fica fácil demais perder a si mesma também, menina. Nós precisamos aceitar aquele amor que sonhamos antes de dormir, devemos é ir atrás da realização de desejos maiores do que simplesmente ter alguém e pertencer assim, de bandeja, a outro também. De quem é a culpa quando o desinteresse invade o quarto e a vontade súbita de qualquer outra coisa que não envolva amor seja prioridade? Possivelmente, de quem cede demais e se dá sem ao menos mensurar reciprocidade. Mas sim: muitas vezes, com uma parcela de quem ama mais o próprio umbigo que qualquer outra pessoa no mundo.

Se merecer mais é a estrada mais segura, caminho sem falhas, acredito eu: achar filmes incríveis, preencher o tempo com cuidados para si própria e saber aproveitar momentos incríveis à sós, com a família, fazer novas amizades. A vida é esse instante passando e burro é quem deixa de acompanhar com a gente, subir na nossa carruagem e ser cavalheiro porque sabe o valor da dama que está ao lado. Ser feminina, sim, ser mulherzinha, também; mas saber até onde permite que o seu respeito seja alastrado. O que está disposta a aceitar e enfrentar pra ser alegre, livre e contente ao lado de um homem, e não de um moleque? Mesmo que ele seja lindo. Carinhoso. E, na maior parte do tempo, gentil.

A gente deve merecer aquilo que pensa que nos cabe. E fazer o possível pra que o casal evolua em dupla, como pessoa. Dar espaço, mas aproveitar também esse mesmo tempo livre com boa vontade, com gana de ser intensa mesmo que não seja apenas ao lado dele. Sair e ver a rua. Ir pra um bar com colegas, visitar um museu, conseguir tranquilidade suficiente para abstrair, porque além de ser só um cara, ele com certeza é menos que uma vida inteira - a sua. Ser um anjo não vai lhe impedir de viver o inferno após vender a alma por um relacionamento. Pelo contrário: o pagamento pode ser ainda mais sofrível. Anda infeliz? Ele some? Descobriu uma mentira? Silencie. Não dizer é fazer esbarrar em realidades. Atitudes falam enquanto o íntimo grita.

10 Comentários:

  1. Assino embaixo, Camila! Escreveste tudo que eu penso e na maioria das vezes, acho.
    "A gente deve merecer aquilo que pensa que nos cabe. E fazer o possível pra que o casal evolua em dupla, como pessoa."
    Parabéns, guria!

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  2. Linda, mais uma vez, pensei que você tivesse entrado em meu íntimo e dado o conselho para mim! Beeeeijooos

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  3. Calmila, depois desse texto vou amputar meu pênis, posta seu endereço aqui até as 22:00 horas de hoje que passo formol nele e envio para você.

    Beijão linda e agora que vou virar mulher amiga.

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  4. Maravilhoso Camila! Concordo muito contigo que a individualidade de cada um deve ser preservada na relação, sem se perder ou entregar demais, sem ceder até esquecer quem realmente somos e o que queremos. beijinhos

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  5. Esses dias atrás estava pensando exatamente nisso! As pessoas no geral tendem a fazer da pessoa amada seu mundo, seu ar, e acaba se perdendo da realidade. Parabéns pelo texto guria.


    p.s: lembra do texto que comentei que iria mostrar pra uma amiga? pois bem, ajudou :)

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  6. Sem a individualidade não tem relacionamento que dê certo. Eu to começando um agora e ao ler esse texto já percebi alguns erros meus e dele.
    Não tô me entregando demais, mas to cobrando dele.
    Tô é me fechando acho, bom nem preciso dizer que amei o texto né?
    Maravilhoso!

    Beijos

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  7. Porque era um pouco do que eu precisava ler neste momento.

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  8. Supeeer concordei com sua opinião. É bem assim mesmo que as coisas acontecem (algumas vezes).

    Tava com saudade de vir aqui comentar.

    Beijinhos.

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  9. Como se compara a vida inteira de uma pessoa com uma outra pessoa? Não tem como comparar. Ai dizer que ela é menos que toda a vida da outra? Comparação ridícula. Outra coisa, silenciar é adiar soluções, não por as cartas na mesa, deixar sofrimentos consumirem os dois aos poucos enquanto a solução não começa a ser construída. É o comodismo de quem se cala, esperando e exigindo que a outra parte se desdobre para arrancar o silencio da outra, coisa que consome muito, e acaba gerando mais brigas do que se tudo fosse tratado de forma franca, aberta, sincera e adulta pelos dois.

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  10. Muito bom! Pena que na maioria das vezes, só enxergamos o amor assim, depois de viver uma (ou algumas) decepção(s).

    =)

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