Quando tem sol

11.06.2012 -

Podia ser assim pra sempre: o sol despudorado me fazendo vestir biquíni, passar protetor solar e colocar a cadeira na beira da piscina. Enquanto tosto a pele e penso na vida, te assisto dar banho nos cachorros. Envolto e entretido pela gangue de quatro ou cinco que segue os seus passos por puro companheirismo. Mesmo com meu medo quando, deitada de costas na canga do calçadão de Copacabana, algum dos cães ignora meu momento zen, pula ao lado ou pisoteia e a gente discute porque tu achas bobagens meu susto se são só os animais. E ri quando eu pulo logo de pé assim que teimosas patas tocam meu território. E eu fico enfezada porque só quero paz e sossego pra colocar as ideias no lugar. Dava, de verdade, pra aceitar - urbaníssima que sou - viver longe da civilização se fosse te admirando à medida que tu olhas o horizonte ou dorme um pouquinho antes de começar o filme para não cochilar durante. Eu, apreciadora nata do ritmo acelerado, do trânsito fulminante (e cheio) e de arranha-céus faria gosto, cozinharia e, feliz, me vejo espalhando protetor solar nas tuas costas com direito a comentários como "nasceu um pêlo aqui" ou "vamos ficar só até às 18h?" quando te olho no espelho, índio cheio de filtro FPS 15 - e a gente ri - caso fosse a rotina um eterno feriadão de tempo bom. Valeria a pena se perder no caminho e entrar num rally por zonas desconhecidas próximas do refúgio, justificaria todas as picadas de borrachudos, pernilongos e insetos que amam meu sangue doce e deixam bolotas como assinatura de passagem se fosse pra ler concentrada a cada banho, soneca ou passeio pelo campo teu. Tudo porque tem sol, vermelho ou em degradê, desses que tu me chamas ali na varanda pra ver e que se vai, tão logo o smartphone se aproxima pra captura do instante. Sem o vento da praia. Com os cachorros em volta, o sustinho quando se aproximam e a paz do silêncio compartilhado reina, ao invés de machucar, filme de memórias assistidas. O desejo constante de que sejam dias ensolarados eternos onde a gente pudesse escutar música alta longe do mundo sem incomodar ninguém e curtir a procrastinação à dois sem culpa, com conversas amenas, filmes suecos e asinhas de frango no forno. Já é um caminho pra felicidade.


9 Comentários:

  1. Estou sem palavras pro tanto que este texto me encantou. Sempre sou encantada por tuas palavras, mas este... este me passou uma sensação boa, o li sentindo 'cheiro de lar' e vontade de estar dentro de um abraço daquele, que como tu tens o seu, que me faz sentir em casa até longe dela.

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  2. Que vibe bem boa! O tema 'Sol', vermelho ou em degradê, é sempre pauta dos meus finais de tarde. Juntos ou não, sempre vem um:"olha o céu!" Que, minutos atrás por exemplo, se resumiu em um simples sms dizendo "CÉU", só pq o mors já sabe do que falo..
    Enfim, texto lindão, Camila! :}

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  3. Teu texto, mais uma vez, descreveu meus momentos ao lado daquele, que pra mim, é o melhor do mundo - amigo, namorado, amante e claro, companheiro.
    Concordo com a Talita e após ler o texto, me senti em casa; me senti em paz.

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  4. Só pra reafirmar a veracidade do comentário da Radmila Gravato. O cenário protagonizado por um céu fantástico é sempre algo que embala nossas tardes e conseguisse descrever isso no texto, Camila.

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  5. Encantador! Descreveu perfeitamente o cenário... adorei!

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  6. Que texto tão lindo! Cada vez mais caprichosa e cheia de surpresas... Amei desde o título! Que você viva muitos e muitos anos escrevendo e que nós possamos ler seus textos maravilhosos sempre. Beijo

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  7. Tão simples e tão lindo!

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  8. Eu sou uma leitora fiel e, embora não comente muito, hoje teve que fazer isso... Lindo texto, assim como todos os outros seus! Você é uma das minhas inspirações para escrever, sempre digo isso..

    Beijos
    Mari

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  9. Já disse que acredito nessa felicidade? =)

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