First

11.25.2012 -

Teve aquele dia também, o primeiro. Enquanto eu intercalava um gole de vodka com energético com água, você surgiu junto de dois ou três amigos. Só não era a primeira vez que a gente se falava porque antes disso teve a noite em que a gente se quis muito mas não chegou a se pegar de fato. E depois que o efeito do etílico passou, apareceu a minha timidez (alternativa, sempre) e o seu jeito quietão, o que nos fez ficar um pouco confusos e adiar a felicidade. Pois bem, teve o dia da verdade, posso dizer assim então. Eu tinha observado enquanto você se aproximava de algumas outras garotas louquinhas, porque elas eram - ou pareciam - super liberais. Por mais que a gente já tivesse batido altos papos, fiquei na minha, sentada num banco de concreto conversando com quem conhecia, me apresentando de quem se aproximava de mim e da minha amiga com namorado.

E aí que você puxou qualquer assunto banal, disse depois que era um pouco por não saber o que eu realmente queria (você). E a gente conversou coisas leves, falou sobre a festa, eu joguei charme pra um menino que não tinha a menor chance e a gente riu, porque era tudo combinado. Teve também uma enrolação de táxis e carros rumo à festa, gritaria, enrolação e de repente fomos parar no mesmo veículo provido de táximetro, no banco de trás enquanto um outro cara, emburrado, reclamava do quanto a gente se queria e não se entregava um ao outro logo. Não é clara a memória, mas deve ter tido um abraço com palavras esmorecidas, eu carregava uma garrafa de vodka porque o salão precisava ser esvaziado. Assim que descemos, a deixei cair e vi dois ou três motoristas me xingarem muito pelos cacos de vidro que talvez furassem pneus. Só ri, só consegui me esvaziar um pouco da situação toda e pedir que você me esperasse.

Depois daí, lembro do canteiro, e de como a gente conversava de perto e não arriscava talvez por medo, depois descobri que era porque eu adorava um desafio e isso era característica sua: nunca facilitar demais pra que eu deixe de achar graça. Recordo de querer tanto, mas tanto, que admito que devo ter tomado a iniciativa e beijado antes, mesmo que o borrão da bebida tenha apagado a frase exata que antecedeu o momento homérico. Foram minutos onde eu toquei o céu e voltei pro solo terroso da grama em frente ao posto de gasolina, do outro lado da rua. Num dia em que eu nunca sorri tanto. Deu um pouquinho de vergonha porque vários olhos atentos acompanhavam a formação de um, até então, improvável casal. Gostei tanto de andar de mãos dadas, firmes, entrar na festa, em companhia e sentar na grama pra falar um milhão de bobagens que só conseguia torcer internamente: faz isso durar pra sempre, faz a noite ser mais longa, faz ele não fugir quando eu for ao banheiro como alguns caras que a gente ainda não conhece bem fazem, por favorzinho.

Eis que ao sair da cabine suja, minúscula e fedida, cheia de papeis higiênicos usados, com mais uma garrafa de cerveja na mão, estava de camiseta básica, calça jeans e cheio de impaciência me esperando. E a gente andou pela noite, surpreedendo a amiga que horas antes havia discutido comigo, conhecidos que encontrávamos porque é sempre assim quando se saí em cidade que é grande mas tem vida social minúscula, fazendo eu me perder da carona de volta e sair correndo assim que a avistei, já atrasada. Foi mais ou menos assim em todas as outras noites até a gente decidir que queria muito ficar junto. É assim que eu me sinto toda vez que eu acordo com muita preguiça e já rindo nos finais de semana: com um pé enrolado no lençol e a cabeça nas nuvens, tocando devagarinho o horizonte pra não enlouquecer.

4 Comentários:

  1. Ai, que saudade de vir aqui!
    Fiquei imaginando cena a cena... delícia de texto!
    Parabéns por mais um!
    Beijo, minha linda!

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  2. aaaaaai que invejiiiiinha (boa!) que liiiiindo *.*
    sempresempre lindão, como tudo que tu escreve, beijo guria!

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  3. O começo sempre é lindo, e se a gente estiver realmente amando todo o relacionamento (início, meio e fim) é perfeito!

    A história está linda, Camila. Acredito em casais assim, em histórias assim sem um final feliz porque a gente nunca sabe o que pode acontecer no dia de amanhã, ele é incerto demais para construirmos planos. Melhor viver o hoje, o agora.

    Parabéns pelo texto!

    Bjs!

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  4. Que lindo! Tô sempre aqui pra desejar felicidade e sorte pros dois. beijos

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