Encruzilhada

11.05.2012 -

Tem sido mais ou menos assim: logo ali na frente, tem dois caminhos e eu fico congelada de dúvidas de que rota desenhar, pra qual dos lados seguir. Um estanca, automaticamente enquanto o outro jorra lentamente como a opção momentânea;  A escolha, salvação única de um futuro ainda premeditado, não me ocorre nunca. Fico então na crueldade de estar na linha e não desandar um pouco pra ver se caio, além de na real, em algum dos lados que me salve de um banho maria forçado, a que tenho levado a vida diária. 

De um lado, o café solitário na mesa quase vazia se não pela minha mãe que digita sensações, melindres, detalhes, apenas quando estabelece conexão com o lado íntimo. Eu, sentada na cama, procurando vestígios de vivências, pensamentos, críticas e opiniões relevantes que ficaria o mundo mais pobre caso desconhecesse. Fico entre uma aposta em mim mesma, nos insights intrínsecos, na batalha do autoconhecimento, ou na lida com fontes, entrevistas, informações, imagens de banco. Os questionamentos dançam entre o conforto inseguro das cobertas como escritório e a postura ereta e profissional de quem precisa de clareza e foco para aprender, produzir, comunicar.

E aí que eu fico numa agonia de quem não precisa muito decidir algo por agora, mas na ansiedade de ser intensa, tenho a capacidade aumentada quando sei a diretriz que deve tomar o destino. Agitação, numa índole já irrequieta por natureza - e que precisa saber sempre por antecipação alguma prévia pra ver se decide continuar no próximo capítulo ou fica com o fim precoce mesmo (que na verdade, representa algum recomeço, todos sabemos). Como se precisasse decretar o resto de uma vida do alto pedestal dos vinte anos que mais confundem que apontam caminhos pro que fazer dos anos seguintes.

Lembro de vocação, aquilo que chama à profissão e confere o tal brilho nos olhos, a entrega cega a um trabalho tão prazeroso que nem parece. Algo que não faz parte dos meus dias. Nada de vômito derradeiro na releitura de fraturas expostas, muito pouco do uso de sentidos descobertos que só seriam bem aproveitados se escritos. Na febre de saciar a mim mesma, nunca uma efetiva rendição aos fatos cotidianos e as dispendiosas horas de cansaço mental com a devida importância.

Pulei. Posso dizer que, mesmo em fragmentos, pequenas peripécias, fiz minha escolha e começo um novo caminho, atrás do encontro de mim comigo mesma. Juntei meu amontoado de sentimentalidades, bloquinhos, canetas, e ideias pré-fixadas pra sentar na escrivaninha e voltar a produzir as linhas que o íntimo mandar. Com o café quente do lado, algumas anotações vagas, sobre o que bem entender e ritmar minha opinião, existente sobre cada assunto relevante desse mundo. À vista: caminho livre, frio na barriga, segue a caminhada atrás do X em questão do mapa cheio de rabiscos que carrega a rota daqui em diante.

4 Comentários:

  1. E que nós, que tantas vezes tememos o incerto, pulemos todas às vezes que forem necessárias, para que assim, aja um novo recomeço e uma paz interior inexplicáveis.
    Lindo texto Camila e bom, eu estava precisando ler algo assim, então, obrigada!

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  2. Sorte nessa nova jornada guria, é tudo sempre dificil e complicado, mas a partir do momento em que a gente se perde é preciso da um "restart" nas nossas escolhas.
    Gosto muito dos teus textos, do sentimento nas linhas, não perca isso nunca. :)


    "É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

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  3. Texto lindo, Camila! Boa sorte nessa nova escolha, tu merece ser muito feliz! Beijão

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  4. Eu, ainda tão presa nessa encruzilhada.. Bora utilizar a inspiração daqui e pular também. (:

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