Alegria, Alegria por Paul Auster

8.20.2012 -

A alegria de olhar seu rosto outra vez, a alegria de abraçá-la outra vez, a alegria de ouvir seu riso outra vez, a alegria de ouvir sua voz outra vez, a alegria de vê-la comer outra vez, a alegria de olhar para suas mãos outra vez, a alegria de olhar para seu corpo nu outra vez, a alegria de tocar seu corpo nu outra vez, a alegria de beijar seu corpo nu outra vez, a alegria de vê-la franzir as sobrancelhas outra vez, a alegria de vê-la escovar o cabelo outra vez, a alegria de vê-la pintar as unhas outra vez, a alegria de ficar debaixo do chuveiro com ela outra vez, a alegria de conversar com ela sobre livros outra vez, a alegria de ver seus olhos se encherem de lágrimas outra vez, a alegria de vê-la andar outra vez, a alegria de ouvi-la xingar Angela outra vez, a alegria de ler em voz alta para ela outra vez, a alegria de ouvir seu arroto outra vez, a alegria de vê-la escovar os dentes outra vez, a alegria de tirar sua roupa outra vez, a alegria de colocar a boca sobre a sua boca outra vez, a alegria de olhar seu pescoço outra vez, a alegria de caminhar pela rua com ela outra vez, a alegria de pôr os braços em volta dos ombros dela outra vez, a alegria de lamber seus peitos outra vez, a alegria de penetrar em seu corpo outra vez, a alegria de acordar ao lado dela outra vez, a alegria de discutir sobre matemática com ela outra vez, a alegria de comprar roupas para ela outra vez, a alegria de massagear e ser massageado outra vez, a alegria de falar sobre o futuro outra vez, a alegria de viver no presente com ela outra vez, a alegria de ouvi-la dizer que o ama outra vez, a alegria de dizer para ela que a ama outra vez, a alegria de viver debaixo de seus olhos escuros e ardentes outra vez, e depois a agonia de vê-la embarcar no ônibus na rodoviária de Port Authority na tarde do dia 3 de janeiro, com a certeza de que só em abril, daqui a mais de três meses, ele terá a alegria de estar com ela outra vez. - AUSTER, Paul in Sunset Park.

(A Claudia Tajes, ótima escritora gaúcha compartilhou, e eu me vi tanto dentro dessa felicidade também que acho que faço um bem colocando esse fragmento aqui procês lerem. Inevitável. Ou seja: O TEXTO NÃO É MEU, PORRA)

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