Quando a bondade é demais, a mulher desconfia

6.23.2012 -


Certo, partamos do princípio: homens querem se apaixonar. Ter alguém, encontrar a mulher certa, aquela que dê um colorido mais romântico à uma boa parcela de alguns dos melhores momentos da vida. Saem, conhecem garotas, se apaixonam - nem sempre dá certo, até que pinta: ela olhou bem pra ele, e deu o sinal vermelho. Ele sentiu atração, e ultrapassou as barreiras que limitam o contato. E então toque, química, papo bom, beijo tímido, beijo ardente, sexo, encontros frequentes, horas maravilhosas gastas em conjunto, afinidades mil e pronto, nasce um amor que pode durar cinco semanas, oito meses, ou até mesmo, anos e anos. Se não houver uma bondade dessas de tão ensaiadas, teatrais. De quem comete erro e tenta colocar pra debaixo do tapete porque não sabe muito bem o que fazer com uma impulsividade que outra mal canalizada. Aí, então, um desses amores feitos um pro outro quando em multidão que nos fazem pensar que o nosso pode ser sem graça, sem sal, rotineiro e simples demais. Só que não, gente.

Conhecia um casal em comum. O cara viaja bastante, trabalhava em horário comercial, parecia um pai de família exemplar. Adorava presentear com itens carésimos, ligava de hora em hora para se certificar que sua senhorita estava ali, e fugia de qualquer suspeita de ser um traidor barato, desses que deixam estampado na cara que não valem lá muita coisa. E traia. Enquanto fazia super bem sua personagem de marido dedicado, deixou alguns rastros que fizessem com que a mulher descobrisse e, depois de algumas taças de vinho, foi intimado a confessar. Assim como um ou outro que vive deixando recadinho de amor perfeito em mural de rede social, entope o perfil do casal de fotos dos momentos bons, mas oprime, xinga de barbaridades, dá em cima de outras quando sozinho entre outras ridiculices. Por essas e outras que, quando a bondade (assim como a esmola, e a felicidade) são demais, natural é que a mulher desconfie.

A raça masculina cai de amores também, só que é diferente: nos detalhes minúsculos, nas declarações de uma frase numa noite em que se menos espera, nos cuidados quando adoecemos, na preocupação se chegamos bem ao trabalho, ou em aparecer uma vez que seja durante o ardiloso dia onde trabalho, academia, faculdade, jogos de futebol, camaradas para nos deixar bem, ouvir a voz, soltar um elogio qualquer porque a gente precisa de amor diária e para nós (mulheres) é importantíssimo. Porém, enquanto sentem e tudo está bom, não reclamam, assim como nem sempre nos enchem de mimos. Portanto, segue a minha teoria: homem bonzinho demais é mais ou menos como Papai Noel: a gente quer muito, muito acreditar. Mas e tem como não suspeitar de tanto presentinho sem ocasião, jantar caro, mil ligações por dia e tamanha perfeição? Como integrante do sexo frágil, possuidora de uma intuição dessas que raramente falham, eu acredito que não. A pulga atrás da orelha logo se transforma em minhoca filha de uma paranoia que não cansa nunca de suspeitar de tudo e todos. Logo, prefiro um atrapalhado apaixonado de vez em quando que siga a sua natureza de homem e demonstre quando convir, ao invés de a cada hora.

A vida amorosa provinda do planeta de Marte é simples: sem apertar muito nem afrouxar, com bastante espaço para criatividade, falta sentida e mimos ocasionais, sobrevive. Cresce. A conquista precisa ser sempre um componente vivo e inalcançável para que a atenção masculina centre em nós (ao menos de vez em quando, ou melhor, nas vezes em que o video game não funcionar ou estiver longe). Quem gosta de detalhes, amor incondicional e 24 horas, romance de cinema somos nós, as meninas criadas assistindo Disney e suas princesas em fica cassete. Pura esperteza de rapazes que aprontam e conhecem bem o perfil de ladies femininas como nós para tentar camuflar o erro. Meu alerta não é uma inveja mal exposta para casais apaixonadamente felizes, até porque, isso também sou eu. E sim, para que o olho esteja sempre aberto a demasias despropositais que não cabem geralmente no comportamento habitual de todos esses homens magníficos, queridos e adoráveis e que erram mas, que não deixamos de amar em hipótese quase nenhuma. Direto, mas cordial, e nunca esquecido: se simples, mas sincero, muito melhor que cheio de floreios falsos que nos enganem. Na medida certa da pieguice dos amantes, não existe não preferir.


6 Comentários:

  1. Que texto mais sincero, Camila. Mais uma vez, falando toda a verdade! Concordo em gênero, número e grau (como diz minha mãe) kkk.

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  2. Bem assim! Ótimo texto, Camila!

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  3. falou TUDO Camila! TUDO MESMO :)

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  4. Ameeeei! Parabéns chará! rsrs

    http://feigningtenderness.blogspot.com.br/

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  5. Acho que é a primeira vez que eu comento, mas já leio o blog há um tempo. Muito bom esse texto, disse tudo. Eu sempre desconfiei desses caras muito perfeitinhos, desses namoros muito melosinhos, enfim... Bem, parabéns pelo texto, fui.

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  6. Eca, eca, eca!Sempre fico naquela supeita com homens que melam demais...Fico toda 'que estranho, tem coisa aí...', bem 'A pulga atrás da orelha logo se transforma em minhoca filha de uma paranoia que não cansa nunca de suspeitar de tudo e todos.' como você falou!
    Não é que o cara deva não fazer, mas se o fizer que seja de verdade pqe ele realmente quis.

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