Desmedida

3.12.2012 -

Eu tenho aquela mente de quem age uma, duas vezes para só depois filtrar o ocorrido e repassar as falas das repetidas cenas que poderiam ter ocorrido, mas, me faltou inteligência no calor do momento. Nunca deixei de admitir a minha espontaneidade, por vezes, dificultosa de ser compreendida. Possuidora de uma cara que passa, naturalmente, brabeza e a voz alta de quem quer falar, mas acaba resultando num quase grito ordenoso, quando descuido os modos e esqueço a delicadeza sei que é fácil perceber o quanto às vezes me falta um pouco de noção.

A menina que não sabia brincar. Desde pequena, sempre procurei responder à altura. Uma pena que extrapolasse qualquer limite suportável e conseguisse atingir em cheio pontos fracos, egos imensos ou a farsa forçada daqueles que ficam na eterna dúvida de que personalidade vestir para cada ocasião e pessoas. Nem sempre fiz da sutileza minha melhor amiga, e do bom senso, um truque de mágica: é que preciso às vezes ser brutal porque não aguento por muito tempo viver sem algum tipo de transparência. Se é ódio a sensação da vez, é complicado me frear a ponto de que alguma patada não escape. Desprezo e o eterno olhar de soslaio, quase de olhos revirados. Ter opinião pra tudo, algumas vezes minha salvação, me jogou de vez em quando pro fundo de um poço próprio que não sabe calar a boca ou escolher os segundos exatos onde deve entrar a legenda – falar o impróprio em hora mais errada ainda é o tiro da culatra que volta e, quase sempre, atinge em cheio a mim mesma.

Enrubeço de uma raiva cega para, uma praticamente meia hora depois querer morrer em meio aos remédios, tamanho o remorso de ser assim tão momentânea. Ter mantido o contrato vigente com essa versão borrada de mim mesma que faz chorar mais tarde por agir conforme essa transgressão interna e confusa que me faz parecer louca e grosseira quando na verdade é pura autenticidade disfarçada. Acho um saco que me obriguem a aceitar gente que não desce, situações por pura educação ou qualquer outra babaquice que vá contra a minha linha de pensamento – tão modificada, tão contestada, mas agora por mim aceita e ponto final. Chamem Joselita, chamem de chutadora oficial de baldes, onça quando no cio ou super sincera: de fábrica e com esse defeito que dá pane quando bem entende, surta quando decide e volta ao normal instantaneamente, em questão de segundos. Noção pra que mesmo quando se tem personalidade?

7 Comentários:

  1. Sofro sendo assim! hahaha lindo, lindo!
    sempre me descrevendo hahahaha
    pronto, sem problemas! hahahaha
    beijos

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  2. Vamos começar pelos parabéns pelo texto, é sempre muito bom vir aqui, ou mostrar pra uma nova amiga o teu blog e ela falar : Já me identifiquei com o nome, sinto orgulho toda vez que compartilho algo teu. :D
    Não sei se acho engraçado ou fico aliviada, por saber que ainda tem gente que parece comigo em tempos onde a coisa mais dificil é encontrar gente sincera e que por vezes acaba parecendo grossa, e algumas vezes até chega a ser grossa. Tom de voz alto? Tem horas que me pergunto o pra que mesmo fui nascer mulher, já que delicadeza não é o meu ponto forte.

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  3. Comentário da Poli Moura :


    Sem exageros, mas cada post teu, eu me surpreendo ainda mais. Essa coisa de mulher, é mesmo muito engraçado.
    Posso dizer que esse texto, é aquele tipo de leitura que há dias, eu mesma queria me entender. Quantas vezes fui espontânea demais, sincera ao extremo e autêntica. Isso, me dar um trabalhão, mas sei que é um dos atributos que tenho para levar comigo aqueles que aguentam o rojão e são verdadeiros pra vida toda!
    Preciso dizer que tu me entende, sempre. E é por isso que você tem que continuar com os textos, NOS ajudam. Sempre digo e não canso de repetir: sucesso.

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  4. De longe aqui te imagino assim, mas te vejo também ser tão doce sempre. Acho, na verdade, que em ti não existe a merda da hipocrisia, e difícil e nesse mundo a gente lidar com pessoas sinceras como você. A gente está sempre com medo de ser verdadeiro na vida, infelizmente tenho notado. Hajo também, pra pensar bem depois, e sim, arrependimentos surgem muitas vezes, difícil é aprender ser um pouco mais sutil no agir e falar com o outro, sem se deixar anular, por isso. Submissa não, não. Eu, que conheço pouco mas leio muito de ti te admiro, de verdade. Beijo.

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  5. Já ouvi que a vida é um grande espetáculo e que nos cabe vestir o figurino adequado, cobrir o rosto de máscara e encenar, em tempo integral, para transpormos barreiras de forma menos dolorida. Nos cabe também, dosar o ponto da hipocrisia, na minha opinião algo inaceitável, para que toda ação possa ser baseada na verdade, no respeito e na transparência.

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  6. Nossa será que você me conhece, por quê parece que esse texto foi feito especialmente para mim. Demais muito bom....parabéns.

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