Fadas modernas madrinhas

1.26.2012 -

Bela Adormecida tinha Fauna, Flora e Primavera, quase madrinhas e à sua disposição: três simpáticas fadinhas que a vestiam, alimentavam e quase cuidavam como filha. Cinderella, em meio ao choro sofrido de quando tudo parecia desastre, viu surgir iluminada a sua própria salvação, com varinha de condão e um toque de mágica. Hoje, o simsalabim é muito mais o dinheiro por nós gasto que apenas palavras mágicas e pó de pirlimpimpim nos deixando majestosamente belas.

São Vilmas, Marlenes, Cleusas e Edilenes. As minhas ao menos, estas. Tem a que cuida dos meus fios para que, loiros - e cada vez mais claros, se depender da moça - continuem fortes, na medida exata e sem pontas duplas, radiantes. É sentar na cadeira nem tanto alta, vestir a capa preta por onde me assustam ao cair alguns pedaços do meu DNA capilar, e ao secar, sair do salão renovada. Conhece meu medo de curto demais, mostra orgulhosa o efeito final, é só sorrisos e abraços após o benfeito cuidado em mim. Quase magia, posso até chamar de alguma feitiçaria do bem que, em uma hora e meia a cada alguns meses me renova como mulher.

A outra, me vê nua, grunhindo em meio ao calor e a dor. Como se foi o tempo em que mulher e pelos tinham alguma concordância, tenho pavor e me dá certa agonia. De 21 em 21 dias lá estou marcando presença e deixando alguma boa quantia para sofrer nas suas mãos, atacada pelo cera quente. Conversa comigo afim de distrair e faz seu truque numa rapidez que me surpreende. Vê eu e demais "sobrinha" em posições constrangedoras na maior naturalidade, tudo afim da tal beleza deslumbrante que dura pouco mas nos deixa sentir limpas enquanto ainda é preservada.

Para pegar em nosso pé depois de um dia suado e transformar nossas unhas ou roídas ou de cantos comidos (a pelezinha viciante, e quem não rói com certeza deixa a ansiedade ali atacar), só mesmo sendo uma benção ao nosso feminino ego. Escutam reclamações frequentes de namorados, noivos, amigas e familiares, vão desde a televisão ao jornal em assuntos que nos espairecem, opinar quanto a cores e contam histórias de vida. Lixam, cortam, aparam, retocam e na maior paciência, nos detalhes minuciosos, enfeitam a gente com um encanto que vai durar uma semana, no pé se bem cuidado, duas. Nada de poção, palavras ou sortilégios mágicos: profissionalismo e empenho que nos deixam com a sensação temporária de lindeza necessária. Acabamos sempre voltando, com o querer aumentado e a vontade de deixar no lugar aquilo que com o tempo cultivamos. São bem mais que fadas: também mulheres. Madrinhas, apenas emprestadas, porque sendo femininas como nós, sabem bem a importância que hoje em dia mais se intensifica de querer estar bem, desejar estar bonita.

Abracadabra, uma ligação, hora marcada e a gente lá: depois da ida e do processo de transformação, nem tão rápido como nos desenhos infantis, mas potente e real, muitas vezes mais eficaz que beijo para acordar ou salvação em torre, cabelo, unha e depilação são quase o suficiente - porque mulher satisfeita é mulher acomodada - para nos fazer sentir quase princesas. Reais, mas não da realeza.

4 Comentários:

  1. Precisamos delas, uma ou algumas vezes por mês, bem verdade. Quase toda a paciência ali, distribuída, nos cuidam e assim, no fim de toda a -quase- mágica, nos sentimos mais lindas, princesas. Ótimo, Calmila. Cada vez mais perfeita a tua escrita. Senti falta daqui.
    Beijo, beijo, beijo.

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  2. Falou tudo: eu, como a maioria, também não vivo sem! São milagrosas, tanto pra ouvir nossos desabafos e nos aconselhar quanto pra nos deixar de bom humor e mudar nosso dia em questão de horas.

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