Depois dos dezoito

12.22.2011 -

Você vai aguardar esse dia como se fosse único. Como se na próxima manhã, você fosse acordar, colocar um terninho, começar a autoescola, ser super independente. Ou quem sabe, pegar o carro, sair de casa e mudar de país. Que nada, tudo mentira. Baita ilusão. A vida não muda radicalmente, e o tão aclamado motor 1.8 muitas vezes não alavanca subidas tão promissoras assim, logo de cara. Pode haver uma festinha particular, você pode dormir na casa do bofe, e mesmo, perder o celular. Vai continuar levando esporro de pai e mãe, se com eles morar - chegará uma hora em que não terá pra onde fugir. Só vai haver mais pressão pra que você dirija logo, arrume um estágio e saia, mas diga sempre onde e com quem vai. A que horas volta, já parece ter ficado no passado, na maioria das vezes. Sobre namorado, o papo continuará o mesmo. Nas reuniões da família, a mesma questão: cadê o moço? Nem adianta tentar explicar que não existe. Melhor mesmo é silenciar, e sorrir, até que o alvo vire algum outro primo seu que, mais velho que você, também não apresenta ninguém para a família. Você acordará, e terá um ano a mais quando calcularem a sua idade, pelo ano. E só. Aquela enorme ansiedade pra que esse dia logo chegasse, aos poucos, se mostra falha; irreal. Nenhuma mudança física, quase nulas as alterações psicológicas. 

A carteira falsa de identidade (ou daquela amiga da sua amiga, que fez uma nova e a presenteou com a antiga) se aposentará. A glória sairá de mãos dadas com você quando pela primeira vez, num bar ou supermercado, puder comprar bebida alcoólica sem nenhum medo ou pudor. O make não precisará mais ser tão carregado, pois claro: não existe mais porque aumentar a idade. Agora, não há mais o que provar, para ninguém. Inimputável não mais, há o que ser retirado e cobrado, sem ser devidamente agraciado. Contudo, é a vida. Já não dançamos mais a valsa da idade da moça, os quinze anos, há centenas de dias. E cuidado, porque agora a prisão pode sim complicar. Desde que não seja da alma e pensamento, do espírito e sentimento, tudo livre: melhor assim.

Há um ano, vivia eu a ansiedade de ser maior de idade. E foi um dos momentos mais lindos e felizes que já vivi, até aqui. Mal sabia eu, que precisaria de uma força quase senhorio para seguir em frente e pular com os dois pés nos dezenove. É logo ali, daqui alguns dias. Bom que os pés estejam em dia, pintados, limpos e descansados, porque a caminhada é longa e até agora, por mais que pareça muito, pouco realmente se andou. O que importa é a terra à vista e o mundo ainda a ser desvendado: imenso. Tão extenso pro nossos nem vinte, e só poucos, anos.

6 Comentários:

  1. Já estou nos meus 19 anos e estou esperando até hoje tudo de incrível dos 18 anos! hahaha
    Não importa a idade , o número dos anos que vivemos e sim como vivemos e como tiramos proveito da vida!


    Beijos!

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  2. Realmente é uma grande ilusão o lance dos 18 anos. Nada muda do nada se não tiver uma atitude ou, até mesmo, um pouco de sorte da vida. Eu sou um exemplo vivo. Quero tanta coisa, busco tanta coisa, mas no final precisa-se de grana, e eu não tenho. hahaha

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  3. Eu aprendendo umas verdades sobre os 18, hahaha. Ainda nos 17, mas já ansiando a maioridade. E que com ela venha o emprego, o consumismo com meu próprio dinheiro, e a liberdade de ir e vir, só que sob quatro rodas! É grande a ilusão de "transformação" que criam em cima dos 18 anos. Mas tem que haver calma. O que importa é conquistar tudo o que se quer sem ter que passar por cima dos outros, perdendo os próprios valores!

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  4. Com estas simples palavras, transmitisse meus sentimentos de hoje! Desvendando cada dia, com os anseios, as conquistas e falhas to seguindo os meus 19 por aqui também!
    Parabéns por mais um texto Camila, divino :)

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  5. Mesmo que tenhamos um pouco mais de liberdade quando chegamos na idade tão esperada, é como você falou, pouca coisa muda e o que queriamos fica tão banal que fica mesmo na cara que houve pouca mudança.
    Mas é bom ser maior de idade mesmo assim! =)

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  6. A maior idade implica tantas coisas, como a possibilidade de comprar bebida alcoólica sem receios, que é natural que tal período seja aguardado com muitas expectativas. E de fato, muitas delas são faltas, ilusórias. No meu caso, somente algumas mesmo, penso que tudo depende do que você espera de si mesmo, e dos planos que possui para esse ano, com essa idade. Vejo tudo por uma perspectiva real, com os pés no chão, dessa forma sei que vou poder desfrutar de todos os benefícios dos 18, evitando muitas decepções por não ansiar nada de TÃO inovador, diferente, etc. Enfim, ótimo texto, Camila! Ler algo assim a poucos dias de completar 18 anos, serviu - perfeitamente, para me manter ainda mais assim: seguro.

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