Calmila Responde: Confusa e apaixonada pelo namorado da amiga

12.21.2011 -



Hey Camila, tenho 16 anos, sou leitora mais do que assídua do blog e assim como tu, adoro desabafar na grafia. É claro que nem de longe possuo tamanha destreza como a sua, mas a gente faz o que pode né? 


Lindinha, capaz... Acredito super na arte de cada um.


Meu dilema começou justamente no momento em que texto, frase, palavra ou fonética alguma bastava para aliviar o maldito aperto no peito. Falando desse jeito até parece exagero, talvez seja, mas se tratando de uma imediatista como eu, é impossível não fazer tempestade em copo d’água. A verdade é que vivo e sofro do mais famoso dos clichês, aqueles de novela mexicana, musica chiclete e tudo mais que se vê por aí, o tal do “menina-apaixonada-pelo-namorado-da-amiga”.


Putz. Acho que, se tu ainda é intensa como disse, agrava o quadro. Pessoas com um equilíbrio e tolerância maior costumam conseguir lidar melhor com situações tensas como essas. Mas, enfim.


Como não vejo solução nenhuma e já fundi a cabeça de tanto pensar, resolvi pedir ajuda e ouvir os conselhos de quem volta e meia vive me salvando com os textos em que mais me identifico, ou seja, você. 


(É muito amor, gente)


Para início de conversa, quero deixar bem claro que não sou uma daquelas piriguetes que não pode ver a bff com bofe novo que já vai logo dando em cima. Não, muito pelo contrário: chego a abominar quem faz isso. Acontece que, essa minha “amiga” nunca foi flor que se cheire. Manipuladora, cativante e sempre muito desinibida, nunca teve vergonha das coisas que aprontava, inclusive dos chifres que fazia questão de botar no namorado – que até então era só um conhecido de vista. 


Tinha que ser vadia (a guria). É sempre assim.


Apesar das aventuras dela, o namoro ia se firmando e consequentemente, ele que estudava em outro colégio, mudou-se para o nosso, e foi cair justo na minha turma. 


Já vi tudo.


De inicio fui indiferente à novidade, mas com o passar do tempo fui percebendo quão legal, divertido e apaixonante ele era. Assim que me dei conta, cortei o mal pela raiz, afinal, homem de amiga é estritamente proibido. 


Às vezes, algumas das pessoas mais cativantes ou são perigosas, ou são proibidas. Geralmente, mais lá pro futuro, a gente vê que não valia a pena e que todo esse "encanto" era passageiro. Eu disse geralmente, é lógico.


Mas como nem tudo no amor é jardinagem, o carinho por sua vez não parou de crescer. Com toda essa situação, fui cada dia mais me sentindo na obrigação de dizer a verdade sobre as coisas que ela fazia, e mesmo sendo uma tremenda sacanagem com a amiga, dedei tudo. 


Precisou de coragem, hein. Mas admito que não seria o melhor a fazer. Foi um misto do teu interesse nele com a raiva de ver ela não dar valor ao namorado - que segundo você, é um fofo - que a fez agir assim. Ainda assim, não sei se faria o mesmo. É complicado julgar, mas se ela era tua amiga mesmo, deixasse que os dois se entendessem, né? Agora, se não é tão amiga, é mais pra colega ou conhecida, daí depende muito mesmo.


Ele completamente cego de amor, preferiu não enxergar o que estava diante dos olhos e ouviu todas as desculpas esfarrapadas que ela inventou para justificar as mancadas.  Passando-se alguns meses, o namoro terminou – por alguns deslizes dela e também por muitos da parte dele – e ele me procurou dizendo estar a fim de mim. 


Ou seja: se ela não era flor que se cheire, ele - por mais perfumado que parecesse - pelo visto também não. Cuidado, garota.


Coração batendo em descompasso, fiquei triste pelo término, mas estaria mentindo se não dissesse que também fiquei eufórica com a noticia. Porém, como alegria de pobre dura pouco, nosso caso se resumiu a um mês de flertadas até eles voltarem. 


Eu já imaginava. Casais assim, onde os dois são parecidos demais e os dois dão mancada, convivem no mesmo colégio e coisa e tal, sempre acabam reatando. Dica pra vida. É só esperar.


Impossível dizer que não me senti usada, pois esse é o adjetivo que melhor descreve o que fui. Relações cortadas com o dito cujo, segui minha vida, ou pelo menos tentei. Nesse meio tempo de sobrevivência, passou-se um ano completo, e quando eu menos esperava, ele ressurgiu. Naturalmente, se aproximando de amigos em comum e ganhando espaço na minha rotina, até virar parte fundamental dela. 


Das cinzas, como todos os caras que a gente sabe que somem e algum dia, sem ter nada pra fazer e ao lembrar de alguma coisinha que foi especial no passado, voltam. Eles voltam. Sempre. Mesmo que demore. Se já se foram, resta a nós sermos fortes o suficiente para que saibamos dizer um não bem lindo.


Pedimos perdão um ao outro, porém, sem nenhum de nós mencionarmos o acontecido. Foi a reconciliação mais subentendida do universo. Em menos de um mês, ele se tornou meu melhor amigo, e não poderia ser diferente, levando em conta que ele é absolutamente tudo que eu quero em alguém. É claro que ele possui inúmeros defeitos, alguns muito graves, como por exemplo, um caráter não muito confiável, além de mencionar as mancadas épicas que ele dá comigo... 


Poxa, mas tem uma contradição aí então: é teu melhor amigo, e dá mancada. Ainda assim, é a melhor pessoa do mundo e a mais desejável que tu já encontrou. Será mesmo que ele seria alguém bom o suficiente para você ter na vida ao seu lado, como namorado? Tem cara que é bacana e coisa e tal, mas pro nosso próprio bem serve apenas para ser amigo. Infelizmente. Quando a gente se compromete com alguém e tem um sentimento realmente forte, começa a conhecer ainda mais e melhor a pessoa - e digo detalhes que nem a amizade capta. Desde o jeito de amar, as opiniões sobre, enfim. É tudo muito diferente, e ao mesmo tempo, arriscado. Mais uma vez: cuidado.


Mas é como dizem “coração apaixonado é bobo”, e eu erroneamente, só consigo desconsiderar os contras e me agarrar freneticamente aos prós. Nem preciso dizer que a essa altura o meu juízo já estava completamente arrasado né? O maior dos problemas é que estou completa e irrevogavelmente fascinada por ele, que apesar de “fingir não se dar conta”, faz questão de deixar extremamente claro o quanto ama a ex – que depois dele, já teve um bilhão de romances por aí. Seria loucura insistir, covardia desistir? 


Acho que está claro que, pra ele, é só amizade. Homem não tem mulher amiga, não, gente. A não ser que já tenha "pegado" e tal, ou ele considera não atraente. Mesmo que tu seja linda, é só uma amiga. Homens são práticos, e quando pra eles existe uma amiga é isso e só. A gente quando tem 16 anos fantasia muito em cima disso tudo, mas é raríssimo - mesmo, posso te afirmar com toda a certeza - cara que é amigo mais tem outras intenções e é tímido ou anda indeciso. Se ele quisesse, já teria sido direto contigo. Se ainda fala da ex, é só um alerta silencioso (ou não) para lhe mostrar que, sentimentalmente, não está acessível a você. Infelizmente. Acho cair fora disso tudo inteligência, nada de covardia.


Como saber minhas reais chances? Poderíamos um dia dar certo? Eis aí apenas algumas das milhares de questões que andam me tirando o sono... Enfim, espero que você possa me ajudar, obrigada! (: 


É complicado julgar de fora, até porque, não conheço o moço. Mas enfim, acho que ele está sendo bem claro e sincero contigo. Ele ainda gosta da pilantra - e é sempre assim até que os caras amadureçam, a gente não tem muito o que fazer. É triste? Claro que é. Portanto, se euzinha estivesse na sua pele e nesse caso que nada deve estar te fazendo bem à sanidade, cairia fora o quanto antes. Me afastaria do rapaz, que deve estar carente e vê na sua amizade algum contato feminino que perdeu com a namorada. Vá procurar quem seja louco por ti e te faça um bem danado também, dona moça. Espero que a razão grite aí dentro e tu ajas como pra ti for melhor. Estou na torcida é pela tua felicidade, isso sim. Sorte!


Quer enviar sua pergunta também? Escreve bonitinha e se joga no send it pra camilapaier@gmail.com e é só aguardar porque a fila anda grande!

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