Da Mei: cunpleaños!

10.18.2011 -



Domingo foi, pela 24ª vez em minha humilde vida, dia de comemorar mais uma primavera (literalmente). Sempre nessa época do ano eu me afogo e encalho no fundo de meus próprios sentimentos; entre todas as memórias do passado e suas sensações correspondentes; monto uma balança mental entre erros e acertos para medir como resultaram as atitudes por mim tomadas ao longo dos anos. Mesmo tendo tão pouca idade, se comparada aos meus pais, avós, e tias, sinto que sim, tenho muito já o que ponderar.

Aos 24 anos de idade minha mãe já era minha mãe. Minhas avós já tinham mais de 4 filhos cada. Mozart já tinha composto grande parte de seus sucessos. Dom Pedro I já havia declarado a Independência do Brasil. Machado de Assis já era uma personalidade considerada entre as rodas culturais da sociedade carioca. Pablo Ruiz y Picasso já assinava suas obras com um simples “Picasso”. Frida Kahlo já era casada com Diego Rivera. Clarice Lispector já tinha publicado “Perto do coração selvagem”. Senna já era piloto da Fórumula 1. E eu? O que o eu faço/sou/desenvolvo em plenos 24 anos de idade? Dizem que não devemos nos comparar com ninguém nesse mundo, que cada ser é um indivíduo único e especial. Mas quem acalma os anseios daqueles que não cabem em si e querem transbordar a todo custo?

Não sei se a melancolia que me abate sempre no mês de outubro é causada pelo tão famigerado “inferno astral” ou se dessa vez é ainda reflexo da readaptação aos velhos costumes e lugares (outubro do ano passado eu tinha acabado de me mudar pra Alemanha). Não paro de pensar se optei pelos caminhos certos, se x era de fato melhor que y. É muita informação, escolha, gente opinando em nossa vida. Aconselhando para o bem ou para o mal; e mal sabem eles as interferências perigosas que causam na vida da gente. Bom seria se eu não me importasse, mas não é o que acontece. Libriana em demasia como sou, sofro das angustias de quem não tem nunca certeza entre as opções que escolhe.

Não sonho em fazer nada grandioso como ganhar um Nobel ou viajar pra lua. Essas sandices já abandonei na infância. Mas temo não viver os sonhos que poderiam sim tornar-se realidade, ou chorar pelo passado esquecendo-se do presente, ou muito planejar o futuro e não colocar em prática nada que me ajude à chegar lá. Isso me dá medo. Viver sem ver a vida passar. Me ocupar com a presença das ausências e nunca por completo ser ou estar. 

8 Comentários:

  1. Já me vejo fazendo esse apanhado geral da minha vida rsrs e olha que eu vou fazer 30..oh my God...saudades dos post da Mei..bjão garotas!!!

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  2. É realmente complicado quando nos importamos muito com tudo,acaba se tornando um peso!
    Mas com 24 anos ainda há muito o que fazer, e se não der para realizar todos os seus sonhos realize um ou dois que darão uma carga de energia para realizar outros mais!


    Beijos!

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  3. NOSSA.adorei o texto. alias, todos os seus textos. parabens 'um pouco atrasado' pra ti. beijos'

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  4. Seus textos são ótimos Camila , parabéns .
    É sempre bom ter novas inspirações pra escrever

    Já to seguindo um beijoo :*



    http://rascunhosperdiidos.blogspot.com/

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  5. nunca mais comentei pela falta de tempo, mas nao deixei de acompanhar.

    como sempre, seus textos significam muito pra mim, porq eu me identifico absurdamente com TODOS eles.

    isso chega a ser um pouco estranho, mas a unica diferença que vi ate agora, é que vc é de Libra e eu de Escorpiao. Mas o Outubro tambem compartilhamos!

    juliamodelodemodelo.blogspot.com

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  6. Adorei os textos, adorei o blog, queria muito conseguir escrever assim, comecei a seguir agora pra não perder os próximos. Parabéns.

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  7. Parabéns Mei!
    Muitas felicidades, muitos anos de vida e muita inspiração pra continuar escrevendo estes textos super legais!
    E não acho qeu seja assim como você falou não, vc já fez sim muitas coisas! Uma delas foi participar do Calmila e fazer a gente sonhar com a Alemanha; vc tbm já viajou pra fora do pais, coisa que muitas gente de 50 nunca fez. =)

    Beijos...

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  8. Achei que eu era a única pessoa que no dia do aniversário fazia esse tipo de coisa, fico feliz que não seja, pois sempre observo muitas coisas e vejo o quanto evoluí de um ano pra outro e o que preciso melhorar.
    Penso que, cada escolha que fazemos alguma coisa sempre vai ficar pra trás, que 100% de certeza em qualquer coisa que seja não existe.
    Vai ficar aquele "e se tu tivesse feito isso e não aquilo? e se tivesse viajado e não ficado?"
    Mas, aos poucos vamos tomando consciência e sabendo cada vez mais fazer as nossas escolhas, às quais acreditamos nos fazer felizes naquele momento.
    Tudo é provisório, muitas vezes mudamos de ideia com o passar do tempo, estamos em constante desenvolvimento, então o importante é darmos o melhor de nós, nos compararmos com o melhor que nós podemos ser, como diz uma frase famosa, aí sim, estando realizadas faremos o que gostamos e sim, seremos muito felizes, obrigada.

    Sucesso esse teu blog, cada dia melhor!

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