Da Mei: quebrando a cabeça.

9.27.2011 -
 Imagine um quebra-cabeças. Ele é sua vida, mas você é apenas uma das peças. Agora, pegue essa peça que é você, retire do conjunto, molhe, queime no fogo, amasse e tente recolocá-la no mesmo ponto de onde ela saiu. Pensou? Essa sou eu. Hoje, exatamente no dia de hoje, eu decolava junto aos meus sonhos, esperanças e nervosismo, há um ano atrás, para a Alemanha. E você acompanhou aqui de perto muito do que vi e vivi por lá, até o famigerado dia do “adeus”. De volta já há pouco mais de um mês, esperava uma readaptação menos dura do que venho enfrentando. É claro que fiquei feliz ao rever parentes e amigos/as, das risadas compartilhadas, abraços afetuosos, até mesmo pelas lágrimas de saudade. No entanto,  voltar a fazer parte da mesma pintura que já se conhece tão bem parecia-me na ideia menos difícil de realizar do que está sendo na prática.

Compartilho do que sinto com várias conhecidas que já foram e voltaram de intercâmbios ou longas viagens, e todas sentimos o mesmo: a forte presença de uma falta de alegria gerada por constantes novidades. Vou explicar melhor. Quando estamos fora do lugar  onde moramos, seja uma cidade vizinha, praia, campo, país estrangeiro, temos a oportunidade de congelar o tempo, por mais que a ciência diga que não. Saímos, mudamos, conhecemos, nos alegramos com as pequenas novidades diárias que uma rotina nova, seja de passeios ou estudos fora do país, nos proporciona. Porém, quando voltamos, o filme está pausado na mesma cena que deixamos para trás. Os problemas não resolveram-se sozinhos, as pessoas não amadureceram na velocidade que você e muito menos passaram por transformações que só quem muda sofre. E é essa a dificuldade que a tentativa de encaixar-se novamente acarreta. Você não é mais a mesma peça, por mais que deseje desesperadamente ser. E isso não vai mudar, a não ser que sua pecinha de papelão não tenha absorvido nada no novo habitat, e ao voltar continue encaixando-se normalmente.

Belchior uma vez escreveu (e Elis cantou) que “o passado é uma roupa que não cabe mais”. Só que no meu caso o presente é essa roupa e o regime para caber de novo nela é cruel. Por isso decidi rasgar o quadro antigo, quebrar sua moldura e doar as roupas velhas que já não me cabem mais. Estou em frente à uma folha de papel em branco, imaginando o que escrever ou pintar. Preciso retratar uma nova história para a mesma personagem. Ela agora tenta montar um novo quebra-cabeças, e ele necessariamente receberá sua tão surrada peça.

6 Comentários:

  1. oi gostei do seu blog!!
    ja to seguindo|| segue de volta por favor??

    http://garotoonerd.blogspot.com

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  2. Cris Estevão- Tou muito contemplada. Pausei aí uma cena que não quando e se continuarei a viver. No avião a vontade de ficar era maior que a consciência, e esta pedia, súplica, implorava qualquer chuva torrencial ou outro fenômeno estranho que pudesse me dar mais um minuto que fosse na mágica ilha.Chorei longos 55 minutos, troquei de avião e os sentimentos também cambiaram. Pensei quase três horas sobre tudo e todas as mil coisas que eu iria fazer. Do contrário do que aconteceu no primeiro voo, minhas súplicas era pra que aquele avião ultrapassasse a velocidade recomendada e me cuspisse de volta no mundo real. No mundo que é meu. De resto, paira uma enorme tristeza nos olhos e um medo de seguir proporcional a esta. Mas vamos em frente,né?

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  3. Mei, curto muito o que tu escrevess, muito mesmo. Torço para que você readaptar-se o mais rápido possível. Beijos!

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  4. vc vai se encaixar
    eu seiiii .... otima noiteeee

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  5. É apenas questão de tempo... assim como você se adaptou lá você irá readaptar-se aqui! Boa sorte e Sucesso sempre :*

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