Da Alemanha: EUstereótipo

6.14.2011 -

Estava pensando sobre o que escrever para essa terça-feira e alguns acontecimentos no final de semana me alimentaram a vontade de rascunhar sobre  estereótipo e os preconceitos que este acarreta.
Desde que cheguei à Alemanha nunca sofri nenhum tipo de discriminação por ser latina, pelo contrário, a maioria das pessoas ao me ouvir dizer “aus Brasilien” (do Brasil) faz cara de espanto e/ou exclama um “haa! Nossa que legal! Que sonho! Não parece...” O não parece é sempre a resposta que me deixa involuntarimente indignada. Não parece o quê?? Sempre me dá uma vontade gigantesca de perguntar: - não parece por quê? Você esperava uma mulata, ou indígena, ou que eu sambasse segurando uma caipirinha aqui antes mesmo de dizer hallo? Mas eu não digo nada, deixo a pessoa desconstruir sozinha , em sua mente, o estereótipo formado que tem sobre o povo brasileiro, em especial, as mulheres. Sem contar que 90% das pessoas em seguida pergunta: e que língua fala no Brasil? Espanhol né? Mas essa eu relevo porque quando conheço alguém da Indonésia ou Tailândia, eu nem arrisco dizer que língua eles falam lá.
Mesmo isso acontecendo com frequência comigo,  eu sofro muito menos do que meu colega brasileiro que veio para Weingarten através da mesma bolsa. Ele tem dupla cidadania, nome e sobrenome de alemão, é magro, alto, brancão e loiro de olhos azuis. Quando diz que é do Brasil só falta pedirem a identificação brasileira pra confirmarem se não é piada. Com ele o assunto continua com muitas perguntas do tipo “mas como você pode parecer um alemão e ser brasileiro?”. Acho que não ensinam nas escolas por aqui que muitos alemães foram “colonizar” o sul do Brasil na época da crise alemã de 1800.  Eles só sabem das colônias africanas.

Pois bem, estava eu domingo assistindo ao show do Bon Jovi em Munique, e bolsista/estudante que sou, me localizava  bela e formosa longe pra caramba do palco, sentada na arquibancada do estádio Olímpico,  quando o cara ao meu lado começou a puxar assunto. Por causa do dialéto dele eu mal entendia o que ele falava. Dava um sorrizinho e voltava a face para o palco. Até que ele se tocou que eu não estava entendendo lhufas do que ele dizia e começou a falar em “Hoch Deutsch” (o alemão oficial) e me perguntou de onde eu vinha. Respondi que vinha do Brasil, mas morava em Weingarten, na região de Baden W. O show foi rolando, ele ficando cada vez mais embriagado, e na empolgação das músicas ele bateu sem querer na minha bunda (eu acho). Nem liguei muito pois tenho bunda pra preencher um salão. Alguns minutos depois a cena se repetiu e fui obrigada a me virar pra certificar-me de que ele não estava fazendo de propósito. Não pareceu que era proposital. Alguns copos de cerveja depois a criatura teve a petulância de me perguntar se eu era PUTA! Eu virei pra ele e perguntei: como é que é? O que você acabou de falar? Os amigos dele na hora trocaram ele de lugar e um deles me disse para relevar, que aquilo não era sério e blábláblá. Além de ficar enfurecida, fiquei abismada com tamanha ignorância da pessoa. Eu duvido muito que se fosse uma alemã ao lado dele, ele teria tido o mesmo tipo de comportamento. Mas não podemos afirmar, né?

Em Portugal eu senti na pele a “fama” da mulher brasileira. Meu amigo me contou, sem constrangimentos, que se a menina diz que é do Brasil, 50% dos homens vão pensar maliciosamente na guria, e muitos até podem tentar alguma coisa, simplesmente porque muitas profissionais do sexo, mulheres e transexuais, que estão na europa vem do nosso país. Primeiro: se elas vem do Brasil, do leste eropeu, da lua, isso não faz diferença, as condições de sub-vida são as mesmas. Segundo: se há espaço para que elas trabalhem a “culpa” é delas que vieram para cá na ilusão de casar, enriquecer, ou da clientela?  Tem como classicar todos os seres oriundos do Brasil na mesma categoria? (sem julgamentos de valores) Não, não tem! E de novo estou aqui batendo na mesma tecla, a da diferença cultural. Como eu vejo o mundo, não é como você vê, nem por isso eu tenho que desrespeitar a sua opinião. Agora, falsos julgamentos, preconceito, discriminação por ser estrangeiro, isso já não está mais na categoria cultural e sim na ignorância,  muitas vezes, sócio aceitável.

Por isso, minha gente, mais atenção  ao achar que a nossa fama por aí no mundo é de ter as  mulheres mais lindas do planeta, a descoberta do lado podre e sujo, onde nos classificam como putas ou fáceis, é tenebrosa e quero ficar bem longe dela, apesar de já a ter encontrado.
Salve a Luisa Marilac, que brinca e ri pra não chorar da cruel realidade da vida que escolheu um dia levar. E se ela toma seus bons drinks pra esquecer, nós vamos fazer o que?
Eu sambo na cara do estereótipo! Mas não sambo só por ser brasileira, sambo porque quebrar os julgamentos pré-concebidos deve ser celebrado, quando não arriscado, claro!

Um beijo pra vocês!
@meirits

9 Comentários:

  1. Ai cara falou tudo, que falta de respeito nossa, fiquei besta.
    Tem meu maior apoio mostre o lado massa(inteligente) que as brasileiras tem!!
    Bem capaz..
    Um beijo pra ti e desejo tudo de esplendido nessa aventura ai!

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  2. É, fora do Brasil a imagem que têm do povo brasileiro é bem limitada. Nos EUA por exemplo, quando fui, não houve nenhuma falta de respeito assim explícita não. Mas, -ah você é brasileira? Sabe sambar? Sabe capoeira? ¬¬ -não, eu não sei capoeira, e não vou sambar aqui, pra você. Lá foi assim, ou eu sambo, ou sei capoeira, ou idolatro e tenho que saber tudo sobre nossa seleção de futebol, ou sou muito bonita, nossa. Pelo menos a imagem não é essa da Europa, que realmente é simples assim, putas ou travestis (ou os dois). Um país tão grande quanto o Brasil não pode ter um povo tão padronizado né? Por que não pensam nisso? E sobre a imagem da mulata e do índio, por que será que o nosso passaporte é o mais desejado do mundo? Por que qualquer um pode ser brasileiro! Tem gente de todo jeito aqui!! É uma pena que antes de rotular, os estrangeiros não pensem nisso.

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  3. Fora do Brasil é fogo, em Paris eu passei por vários perrengues quando falava que era brasileira... uma vez num bar um cara passou a mão na minha bunda quando eu disse isso, tive que armar um escandalo pra ele pedir desculpas! gente doida!!!

    Beiiiijo @meirits tá ahasando aqui!!!

    @juruzando_

    http://juruzando.blogspot.com

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  4. O pior é que, além do que pensam e sabem de algumas brasileiras que fazem esse tipo de coisa mesmo é que os filmes e algumas novelas produzidas aqui mostram é isso mesmo. Que no Brasil tem muita mulher da vida, muita droga, gente que adora falar palavrão e etc... É osso.

    BjO

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  5. Falou tudo.. mas não é só lá fora. No nosso próprio território tem isso. Eu sou carioca e me meudei pra manaus... E TOOODA VEZ QUE EU CONHEÇO ALGUEM E DIGO QUE NÃO GOSTO DE FUNK OU PAGODE AS PESSOAS ME OLHAm TIPO : OOOI? E confesso que quando me mudei p. cá pensei que todo mundo era moreno de cabelo liso... me enganei feio. Mas é muito ridícula a imagem que fazem da gente por ai1

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  6. mas isso acontece demais aqui no Brasil também. As pessoas acham que quem mora no norte tem cabelo preto e liso, quem mora no nordeste é moreno, quem mora no sul é loiro do olho azul e também em outros paises, como achar que todo asiatico tem uma inteligencia fora do comum, que africano é negro, a imprensa brasileira que passa essa imagem do Brasil.

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  7. A culpa é da mídia. É ela que nos passa essa imagem distorcida dos povos de fora (e daqui de dentro também). E é através dela que pessoas de outros países, outras culturas nos conhecem. Infelizmente, ela manipula as informações de acordo com o que lhe convém.
    Eu tinha a impressão de que a maioria dos Europeus eram pessoas frias, que não costumavam rir, abraçar, que fazer amizade com eles era difícil. Hoje sei que estava completamente equivocada. Tenho um amigo alemão e ele é extremamente simpático e amigável.
    Gostei de saber da impressão que o povo de fora tem da gente, mesmo que essa impressão seja triste. Mas aposto que esse cara da arquibancada, é só mais um alienado das mídias, sem embasamento e devemos levar em conta que ele estava alcoolizado.

    Muito bom o texto! Estou adorando conhecer um pouco mais da Alemanha através dos seus relatos.
    Beijo.

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