A sina.

10.22.2010 -


Começou quando eu sofria por um cara de nome incomum. Me sentia toda especial em contar que seu nome tinha origem no latim, e que foi dado por isso, e mais isso. Na realidade, capaz de admitir que eu nem padecia tanto assim, era muito mais dramaturgia do que verdade. E então, quando num lampejo, me vi beijando Bento. Bendito, Bento. Foi então que me toquei que depois do acontecido, eu teria uma perseguição com renomeada, bemfadada, ou não. O primeiro Bento a gente nunca esquece, e como ele me tinha sido o único até então, provou entre indas e vindas para mim que, muitos ainda estavam por vir. Perigosos, impiedosos ou simplesmente mágicos repentinos, meninos de mesmo nome, e que atitudes parecidas só a numerologia explica.
Carente de Bento one, o número dois não demorou muito a aparecer. Lance de uma só noite, mas que enlaça e faz questionar toda uma vivência. Daqueles que a gente bate o olho, joga praga pra ser nosso, e quando já ao nosso lado, nem sentimos o passar das horas. E com carinho, o segundo Bento sumiu do mapa, como uma pena que esvoaça e a gente vê se perder em pleno vento. Viajou, e nunca mais vi. Mas guardo a memória de possuir o maldito nome do que era paixão, e virou sina. Porém, o Bento III, esse sim, veio e ficou. Por pouco tempo. E gostou da brincadeira ululante de ir e vir, voltando sempre para os meus braços apaixonados, e minhas noites antes iguais. Era diferente de todos os outros, com um apelido à tiracolo e foi do que menos consegui me desligar. Arrebatou meu coração como quem cativa com um doce na mão, uma criança. Num carrossel de sentimentos, uma hora em extrema felicidade, e outra, chorando no meio fio da calçada. A terceira versão Bento foi a que mais durou, mesmo nunca fechando um mês de paz em nosso calendário. De veras, sofri muito com o final desse caso mexicano mal ajambrado. Uma, porque eu acabei cortando laços e esqueci completamente de qualquer outro que com B começasse, e tivesse o mesmo nome (e qualquer outro sobrenome) - o que, por um lado, foi dignificante. Em contrapartida, deixou um vazio imenso, com todas as suas músicas alheias às minhas choradeiras boçais, e leituras vespertinas. Com todo o seu tamanho imenso, e que me fazia sentir uma garotinha indefesa só de ele me olhar; olhos de lobo, pele de cordeiro, e coração de gelo.
Nunca um adeus completo, porém sôfrega e descrente do mundo, fui viajar. Praia, mar e sol, a promessa era de cura quase completa. Numa das festivas noites, eis que me deparo sorrindo para o quarto Bento. Eu, que achava que pararia no iceberg. Gente boa, engraçadíssimo. Porém, não com o magnetismo que o número três exercia sobre mim, ainda. Assim como o segundo, nada demais. Nenhum pinote do coração, nenhuma aceleração inconstante que me desse vontade de largar o mundo e queimar ao lado dele. Com as curvas do número três impressas quase que em braile no meu coração, desobedientes em se tornar letra, quem sabe música, tentei então a festa. Dizem que é na noite que a gente liberta os mais diversos medos, a afugenta fantasmas antigos. E eu venho dizer que, é tudo mentira. Enquanto você dança enlouquecida, naquele lugar que é meio escuro e ainda assim dá pra enxergar, ele te olha, e você olha também, e ele chega mais perto, e naquela coisa, tem bebida, sim e você, qual é o seu nome, mesmo? Bento. Antes de sair correndo, um primeiro e último beijo; irresistível. Teve ainda, uma possibilidade redentora, um Bento amigo de uma amiga, que queria me conhecer. Se eu quis? Desse, nem provar, me permiti. Vai que carrega a mesma marca nominalmente numerológica dos outros tantos? Aprendi a ter é medo dessas coincidências todas do destino, que podem ser sinais, mas na verdade são nossos desejos secretos encobrindo todo um panorama. Fugi da cruz como o diabo, sem ao menos ter alguma culpa no cartório. Sem nenhum delito escorregadio, e sim para fugir de tal perseguição.
Louvado seja todo Bento que me aparece e dá um pouquinho do calor aqui interno que um ou dois outros ímpares Bentos alçaram em mim. Só de ter o mesmo nome, e nos fazer viajar, mesmo não possuindo a mesma lábia, tampouco o beijo, a mão. Primeiro a gente sente saudade, e depois foge. Não é assim que você me ensinou, danado Bento? Só pode ser o traço seu que marcou em mim.

18 Comentários:

  1. Moça!!
    Também tenho essa "sina". Me identifiquei muito com o seu texto.
    Realmente, 3 é o número.
    Bjs

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  2. omg, qtos Bentos. kk

    eu nunca tive sina com nomes, mas com tipos. os mesmos sempre.
    não consigo evitar. :)

    belíssimo texto,
    sucesso Camila

    beijos

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  3. E eu, sempre acabo fugindo de antigos e novos Bentos, até que O Bento, aquele que não é antigo nem novo, porque simplesmente não chegou a acontecer de fato, saia definitivamente de dentro de mim.


    =***

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  4. Estou virando leitora assidua do seu blog! De todos os blogs que visito o seu é oq sinto mais vontade e entusiasmo para ler os textos.

    Beijos

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  5. kkkkkkk
    minha sina é com felipes.
    e são exatamente 3.
    seus textos são lindos camila <3
    beijocas, e tenha um otimo fds flor (:

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  6. Mais uma veez venho aqui e me identifico com o que tu escreves, flor, mas a minha sina é por arianos.
    Os caras dos quais mais gostei insistem em se revelar desse signo pra mim..
    Conheço, me encanto e depois descubro a siina.. parece até armadilha ou piada do destino. Nem sei se acredito muito nesse lance de astrologiia mas enfim... só pode ser sina. No teu caso é a numerologiia, neh?
    Esperemos as próxiimas cartadas da viida.
    Bjoks, liinda!

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  7. eu tenho uma perseguição com um nome de inicial E hahaha mas acontece neh!
    tão bom ler seus textos Camila, como eu leio já faz um certo tempo, gosto cada vez mais desse seu vocabulário e da sua forma de conduzir um texto. muito bom, gostoso mesmo. faz com que cada visita aqui seja prazerosa. beijo grande

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  8. Quantos Bentos hem guria! Engraçado isso! rs
    E como tu disse talvez seja mesmo um sinal ou não ne!
    Amo a forma como tu escreve, sempre surpreendendo com seus textos!
    Amei!

    Beijos

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  9. "Aprendi a ter é medo dessas coincidências todas do destino, que podem ser sinais, mas na verdade são nossos desejos secretos encobrindo todo um panorama".

    Além de ter medo odeio essas coincidências haha
    Dessa vez mergulhei de cabeça, entrei em contato.
    Flashback e imagens.
    E nom fim sabemos que o "Bendito Bento" vai voltar com pedaços e cobranças de outros Bentos. Ou ele está marcado mesmo, carregamos dentro de nós, assim ele "ressurge" evidenciando as marcas...
    ;D

    Beijos querida!

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  10. "Aprendi a ter é medo dessas coincidências todas do destino, que podem ser sinais, mas na verdade são nossos desejos secretos encobrindo todo um panorama."

    Acho realmente que nunca é coincidência, mas às vezes não sabemos ler os sinais e vamos aí projetando nossos planos sem perceber tanta coisa que merecia atenção.

    =*

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  11. NUnca fui de sinas com nome, mas quem sabe um dia não é? hahahah
    Beijos

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  12. Ah, Camila.
    É sempre uma satisfação vir aqui.
    O texto? Maravilhoso. Parabéns!

    *.*

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  13. Não sei se tenho essa sina, mas sei que depois que ELE apareceu, similares de mesmo nome vivem a me rondar! rs
    Deve ser mesmo uma sina!
    Dá uma leveza só de ler seus textos... coisa booa!
    beeijo ;*

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  14. Sina em minha vida são os Thiago's...
    5 no total... se eu aguento ouvir esse nome? NÃO!
    E como o primeiro os outros também se foram sem nem dizer adeus.
    Que sejam felizes, amém!

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  15. É tanto Bento que até me perco! Hahaha

    Adorei o texto! É muita criatividade e humor num lugar só! =p

    Muito bom, pra variar. ;)

    BjO

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  16. " Nossa sina é se ensinar, a sina nossa é." Incrível, como sempre.

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  17. Olá Camila!
    sou mtoo sua fã, adoro seus textos e muita coisa do que vc escreve se parece com o que sinto... mas vim aqui pedir uma ajudinha...hehehe
    acho lindoooos os layouts do seu blog, daí entrei no site de onde tu tiras eles, mas nunca consigo mudar o do meu blog..sempre dá um erro.,e parece que são poucos códigos, não sei...tu sabes oq pode ser? tem algum macete quando vai mudar o seu?ahh, já usei textos seus lá, mas sempre com a devida referência, viu?hehehe
    aguardo resposta!Obrigada.
    bjos, clara!

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