Praga de pai também pega.

7.22.2010 -



Por entre cervejas, e familiares, domingos e tardes de primavera, em alto e bom som, father said: minha filha só vai namorar na faculdade. Nem antes, e só depois. No seu machismo gaudério, na sua paternidade precoce, a maledicência foi feita. E por anos à fio, repetida. Só vai ter compromisso quando estiver na universidade. Cursando o ensino superior. Depois do colegial. Com idade pra saber o que está fazendo. Feliz, e estabilizada nos estudos. E em vão, foram inúmeras tentativas frustradas. Relacionamentos que não vingavam pelos motivos mais bizarros. Alguns que tentaram sobreviver à tal praga, ou respirar no que nem eu, e muito menos o outro compreendiam. Nisso tudo, meu pai feliz. Sorriso contido, mas sensação de alívio estampada. Talvez não contente, mas seguro de ter ali a menininha do papai. A garotinha que brincava de Barbie, e dançava animada às músicas da Eliana. Dos dentes grandes, que eram separados, e se juntaram sem a necessidade de aparelho. E que remou, remou e nunca ficou realmente satisfeita, amorosamente. Pessoas que nada tiveram a ver com a minha personalidade, e eu ainda assim, fui teimosa o suficiente pra continuar tentando. Outras que, me amaram tanto, que fugir; apavorada. Nunca alguém que gostasse de mim na mesma medida, que fosse tão louco por mim, como eu era pelo outro. Cada vez mais, tentei e tentei que desse certo: para provar a mim mesma que posso, e em segundo plano, à ele, que não existia essa história, caso a gente não acreditasse. O problema estava talvez em que, sim: eu acreditava, com medo e quieta, nessa urucubaca toda.
Vendo toda essa minha incompreensão da mente masculina, ouvi do próprio genitor que homem não presta, que mulher tem que pisar no ego masculina, que não dá pra dar mole, e que é próprio dos seres másculos, pensarem apenas em sexo, e só. Mamãe, tão diferente e contrária à tudo isso, me mostrando em contos infantis com finais felizes que, o amor existe. Que acreditar no que se sente, faz milagre. E que se a gente não tentar, não vamos saber. Opiniões contraditórias, conselhos adversos. De um lado, um pai que não quer perder sua filha mais velha pro mundo. Do outro, uma mãe coruja que quer ver a filha feliz, realizada afetivamente, e se possível, algum dia, de noiva. E no meio disso tudo: a maldição, de que nenhum relacionamento meu durará, vingará ou se solidificará, a não ser que eu adentre as portas da faculdade.
Coincidência ou não, a vez em que mais estive me sentindo completa e querida, foi quando estava nos primeiros meses da faculdade que abandonei. Larguei o curso de Direito, e pelo ralo, juntamente o meu relacionamento. Cada vez mais, achando que a execração de papai, se mostrando forte e existente. E agora, estou a poucos dias de voltar à vida acadêmica. Meu pai já começa a se sentir derrotado, e eu e mamãe temos certeza de que, as coisas agora, apenas melhorarão. Dizem ainda, que praga de mãe pega. Talvez. Sei que de progenitor, pai, father ou papai, pega também.

24 Comentários:

  1. haha! Praga de pai pega sim, eu bem sei disso. Na verdade, não deve ser fácil pra eles, ver as guriezinhas que até ontem brincanvam, namorando! Acho compreensivel. Coitado do meu pai, que tem 4 mulheres em casa. hhaha! Beijo guria.

    ResponderExcluir
  2. Oi flor! Adorei o texto, muito descontraído, muito gostoso de ler. Acho que devo agradecer pelo meu pai nunca ter dito nada deste gênero. Hehe. Mas com o sem praga dele, minha situação não difere muito da tua! Hauehaeuheu. Quem sabe um dia, se viermos a ter filhos, essa maldição não se explique. Hehehe! Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Posso estar errado bela, e fazer uma opinião que não tenha nada a ver.
    Mas ele disse:

    "Com idade pra saber o que está fazendo. Feliz, e estabilizada nos estudos"

    Vai saber se ele pensava que antes, os homens que teve em tua vida ainda era uma fase de experiência, com tropeços desilusões e tombos e que, com tudo isso, tu aprendeu que agora sabe o que é melhor para ti, assim como resolveu que curso queria, quem sabe ache agora finalmente ache o homem ideal. Porque a vida é assim, uma hora achamos que queremos aquilo mesmo, e nada como a experiência para sabermos mesmo.

    Nossa tu entendeu o que eu disse?
    Qualquer coisa tento explicar depois hahaha.

    Beijos bela.

    Ah, eu não sou pai ainda, mas me imagino na situação dele. Deve ser doloroso hahaha.

    ResponderExcluir
  4. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    morrendo de rir desse texto...
    já passei por essa fase... algumas pragas pegam.. algumas não...
    mas sabe o que é melhor? praga nenhuma nesse mundo te impede de encontrar e ficar com 'aquele' cara..

    "ÀS vezes dá tudo errado... Aí acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo...."

    Bjok,Flor...

    ResponderExcluir
  5. Você tem um dom admirável. E faz qualquer borboleta como eu, voar mais alto do que pode um dia conseguir. Parabéns!


    E por favor, voe alto comigo.
    Um beijo.

    Borboleta.


    -
    http://voealtocomigo.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  6. Primeiramente, que foto mais fofa!
    Uma fofura mesmo, com blusinha de estampa da Priscila. Hahaha Continuas uma fofa. ;)

    E ao contrário da opinião do teu pai, tô do lado da tua mãe: agora tudo vai começar a entrar nos eixos de novo.

    Tô aqui na torcida!

    E sim, praha de pai pega tanto quanto de mãe. ;P

    Beijo grande!
    Você é uma querida! ;*

    ResponderExcluir
  7. Adoro essa foto, tirei a mais ou menos
    14 anós atrás.
    Que bom que tu já está matriculada na PUC né querida e as coisas já estão entrando nos eixos de novo.

    ResponderExcluir
  8. Foi uma delícia ler esse texto, adorei cada pedacinho.

    ;*

    ResponderExcluir
  9. Amei. Aliás, sempre gosto dos seus textos.
    Até sinto a necessidade de me desculpar por não estar comentando sempre, mas ao contrário dos meus raros comentários, eu estou sempre lendo tudo sobre você, e aqui no meu cantinho torcendo para que as coisas se saiam bem.
    Acho que estou precisando também entrar na faculdade, para que as coisas melhorem :D

    ResponderExcluir
  10. Eu gosto de me referir a ti como Camila, pois acho que soa mais forte e reflete na personalidade forte e na guria de fibra que tu demonstra ser. Então Camila,eu acho que demorou, mas chegou a hora: tu vais para a faculdade que melhor te define! \o/ e vai dar tudo certo, viu? This is it! então aproveita guria, boa sorte e bom gato pra você!
    teus textos são escândalos de tão bons, beijones!

    ResponderExcluir
  11. comoo assim seus relacionamentos tb nunca vingam?tenho 18 anos e a minha maldicao eh a praga dos 4 meses... o dia que eu passar disso, quem sabe com a faculadde(cursinho tb nao ajuda a acha namorados, ne?)
    alias, achei que vc estivesse no 3o ano ainda!
    beeijinhoss!

    ResponderExcluir
  12. Rss... Ai Camila, show de bola esse texto. Acho que esse é o mal (ou bem) de todo pai, né? Eles são super-protetores, e as vezes (quase sempre) até demais! :D

    Bom fim de semana flor

    Beijos

    ResponderExcluir
  13. Um texto incrível.
    Gostei muito do blog.

    PS. Sou péssima com comentários

    ResponderExcluir
  14. Acho incrível...
    Na verdade, você e sua patologia emocional sempre vão arremessar as arestas do amor para um lugar onde você queira pegar... de vez em quando.

    Eu concordo com quase tudo.
    Eu ainda quero discutir algum ponto com você, pra fazer sua casa pegar fogo e tentarmos apagar com algumas salvações de relacionamento antigas.

    Nunca penso assim em todos os lugares.
    Aqui eu consigo despejar a maior parte das palavras que moram num quarto fechado do meu coração de papel crepon.

    Acredito que seus poderes vão além dos rótulos masculinos. Mas claro que além de estereótipos clichês, a surpresa ainda faz de nós, humanos irreversíveis, a oitava maravilha do mundo.

    ResponderExcluir
  15. kkkkkkk, o pior é que pega mesmo, Cal. o meu falava: "só namora aos 15.." e os 15 chegaram e, desde então, ele vem atrasando um ano, e depois outro. mas pai é assim mesmo, quer sempre a filhinha perto, não quer que cresçamos... mas não é assim, né? boa sorte no novo início acadêmico! beijoo

    ResponderExcluir
  16. Hahaha.
    Pega sim!
    Acho que mãe e pai têm o dom de "encucar" a gente e, por conseguinte, por ficarmos assim, atraímos a tal 'praga'.

    Adorei o texto! Ah! E também passei pelos dentes grandes que se juntaram sem necessidade de aparelho.
    *=P

    Beijo!!

    ResponderExcluir
  17. Bom, meu pai enquanto vivo, não dava muitas crises e não pegava muito no pé, só era um pouco ciumento. Mas mesmo assim meus relacionamentos não foram lá muito bons.. Talvez por não estar na hora. Vais saber! =p

    ótimo texto! =)

    ResponderExcluir
  18. Isso me lembrou uma história engraçada: Tenho uma tia-avó chamada Cristina que sempre foi recatada e jamais se casou, meu pai então resolveu homenageá-la batizando a mim e a minha irmã com o nome dela. Bom, até hoje nem a Fabiane Cristina nem a Viviane Cristina dão sinais de que vão casar. HAHA
    Praga de pai às vezes é pior mesmo!

    ResponderExcluir
  19. Meu pai simplesmente não fala quando desgosta de alguma coisa. Acho que é uma praga mais potente, sabe? =]
    Mas ele consola também, mesmo com aquele olhar de 'eu avisei'...

    amei o texto!

    ResponderExcluir
  20. Pois é...eu vivo a mesma situação! Sempre ouvi dos meus pais "estudar primeiro, namorar depois". Claro que, se eu quisesse, eles não impediriam. Mas tomei isso como lei, e hoje tenho meus dezenove anos (quase vinte) e nunca cheguei amar e ser amada 'na medida', como você mesma disse. É sempre 'demais' ou 'de menos', tanto por mim quanto pelos meus ditos cujos.
    Mas, sabe? Não me arrependo, não. Acho que ainda tenho muito para aprender...e já aprendi MUITO com os relacionamentos bizarros, dignos de filmes de drama que já vivi.
    :)
    Ok, me empolguei aqui contando minha vida...mas é legal o modo com que eu me identifico com o que você escreve. Eu e toda essa galera que tá sempre aqui, né?

    ResponderExcluir
  21. Ahhh praga dee pai pega simm! kkkkk
    adoreii o textoo.
    Beijocas

    ResponderExcluir
  22. Acredito na praga de pai, mas, no meu caso, nada mais forte que a urucubaca da mãe, viu?
    E acredito na tua sorte tanto acadêmica quanto amorosa.

    =*

    ResponderExcluir