Cena

1.12.2011 -


Todos me calam com as desculpas mais do que esfarrapadas de equilíbrio, bom senso e sensatez. Tenho tudo isso, e só não faço uso correto, porque francamente, eu gosto é de ação. O filme excêntrico que planejo e me saí do controle; faço o casting e me surpreendem com faltas e aparecimentos, mocinhos que se demonstram vilões e assassinos perigosíssimos que não passam de passionais convictos, tresloucados do amor. Cenas cortadas quando o certo seriam seguir seu fluxo habitual, rotineiro e incansável. O que me exapera é a falta de partido, a comodidade das massas. Ricas, humildes, simplórias ou refinadas. Esse silêncio medroso que não fala, e ao mesmo tempo traduz-se em repressão, freio de mão ativo que pára antes da chegada do temeroso descontrole, dessa frenecidade de viver sem se culpar; se incriminar de ser humano, possuir emoções e se dissipar de tais armadilhas, motins pulsantes.
Delícia mergulhar na intimidade de não limitar-se, se expor ao habitat natural como veio, à que se destinou. Sem ornamentar frases para não machucar, florear segundas, quiçá terceiras intenções. Sair pela porta da frente, sim, quando não atingido o previsto - planos mutáveis e suas câmaras secretas. Cabeça erguida, olhos turvados à frente e nenhuma inquiedade. Quem não aceita o gosto amargo, não saberá apreciar o adocicado mais tarde; sobremesa recheada de invidualidade.
Meios-termos são pra pessoas que passam despercebidas toda uma vida, que nunca sentiram na pele a adrenalina rolar e fluir, tomar conta e cegar. É para aqueles que não nasceram com alguma luz, ou brilho, que não despertam nada: nem ódio, nem amor. Indiferença, talvez. Tédio e constância numa vidinha arroz e feijão, sagu e ambrosia. Coisa mais clichê, sem sal (nem pimenta), sem graça alguma! Não queimar a língua, e o prazer de sentir horas depois de volta o gosto úmido dos alimentos, ou de salgar tanto a vida, as atitudes, incoerências, que a água venha como um banho, purificação...
Vida em preto e branco, vida sem graça: vida meio-termo! Metade, mais ou menos, tanto faz.

16 Comentários:

  1. Tava com saudade de ler seus textos Camila! Coomo sempre mais um texto mara!
    :*
    Beijo princesa!

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  2. Desgosto tão ácido, e sim para nós tão detalhistas: nocivo. A vida assim, branda e pausada não nos alimenta e quando pior, faz termos ânsia intensa. E como dizer que não entendo esse seu jeito português, personalidade forte, de não se contentar com o que não lhe desce como realmente deve. Eu espero que a vida te jogue nas costas, e te mostre o que você ainda por algum motivo, não viu. Que ela salte do avião o qual a prende, e sopre em você um novo roteiro, ação. Que ela surpreenda, flua.

    Beijo, sua linda.

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  3. Ah nem sei o que dizer sobre esse texto guria!
    O mais ou menos incomoda né, sempre!
    So uma palavra pra esse texto. MARAVILHOSO!


    Beijos

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  4. Nada mais sem graça que o quase. é meio tudo meio nada. e no final, sem importância. desperta repugnância.. e olha lá, até rimou.

    Bjos, texto cheio de força. Um verdadeiro provocar e cheio de impulso. Fiquei morta de vontade de empurrar um povo "quase' q conheço.kk

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  5. flor, nem tinha visto que você tinha postado, pois teria vindo antes. estranho, mas eu ainda vejo uma calmaria sem sal na sua vida e acho que disso você não gosta. suas palavras são sempre muito boas, e confesso que eu sempre as busco quando preciso me acalmar ou até mesmo, me encontrar.tá fazendo falta por aqui migs, um beijo enorme pra ti!

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  6. Gosto dessa coisa de viver sem se culpar.

    Blog adorável.

    Beijo!

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  7. o meio termo sempre é mais chato, empre temos que escolher, uma coisa ou outra, ameei o texto

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  8. "Meios-termos são pra pessoas que passam despercebidas toda uma vida, que nunca sentiram na pele a adrenalina rolar e fluir, tomar conta e cegar. É para aqueles que não nasceram com alguma luz, ou brilho, que não despertam nada: nem ódio, nem amor. Indiferença, talvez."

    Mesmo... É até paia dizer, porque acho que todo mundo tem uns momentos assim... Meios-termos e sem graça!

    ótimo texto moça!! =)

    BjO

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  9. Maravilhoso! O normal é sem graça, um pouco de ação sempre é bom.
    Beijos

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  10. Oi meu bem, tem um selo pra você lá no blog. Beijos

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  11. E de que serve o meio-termo, o morno...se é para ser incompleto, melhor nem ser!
    Beeijoos

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  12. Olá, guria! Que delícia de texto!
    estou precisando de ação na minha vida. Tá uma calmaria... tudo sem graça.

    Excelente! Amei o texto, guria!

    Um beijo!

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  13. Muito bom, me remete à Fernanda Melo:
    "Nada em mim pára, nada em mim é morno... Nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama ... E eu vou!"
    Bjs menina!

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  14. Olá!
    Adorei seu texto, descreve minuciosamente como meus dias estão sendo, aquele arroizinho com feijão sem gosto, aquela monotonia, isso além de desgastar cansa, e como cansa..
    Se arrisque um pouco mais, cometa uma imprudência, acredito que assim o filme mude.
    Beijos

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  15. Ihu!..
    Sentir o gosto bom da adrenalina: não tem preço .
    Guria tô contigo mais uma vez nessa filosofia de vida.!
    Bj...

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  16. ando cansada destes meios-termos que só atrapalham a vida daqueles que querem viver um filme de ação. Cansada de presenciar cenas clichês e atores acomodados.
    A começar de mim mesma...
    --

    releve meu comentário nas madrugadas eu piro um pouco rsrss

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