Insanidade inteligente

2.03.2010 -


É sempre cansativo, e quando paro por alguns segundos, tento ficar o máximo de tempo possível virada de ponta-cabeça, contrária à toda essa visão de mundo que me fizeram engolir garganta abaixo, e eu remo, escalo e insisto em revogar. Talvez por isso, o Direito. A destreza que as leis podem me acrescentar, ou a compreensão que invariavelmente possam me trazer. Ou quem sabe, a decepção total de fé na legislação, nesses códigos do país, onde falta muito pulso firme, e que sobra toda essa moleza confessional que faz cair por terra o desejo de acreditar do cidadão. Essas regras ridículas de bom comportamento e diminuição de pena, e bem sabemos que quem realmente merece estar do cárcere, tem dinheiro bastante suficiente para se livrar da maldita cadeia. Se não consegue, ao menos uma sela coberta por privilégios soberbos e fúteis. É o Ensino Superior, meus caros. Fazendo por aí com que muita gente se safe da cidadania e exerça o egoísmo pleno. Sinal visível desse caos todo, instaurado na justiça brasileira, são esses demoníacos trotes. Futuros médicos veterinários que obrigam o calouro a beber álcool combustível. Futuros médicos que afogam na piscina e espancam, talvez um colega futuro de profissão - se vontade sentir e sem traumas ficar, para seguir em frente em tal instituição. E as punições são pífias, leves como pluma, quando deveriam deixar estudantes de calibre tão maldoso e ruim de fora de qualquer universidade do Brasil. Ou do continente. Do mundo! Aqui estão meus votos de paz e justiça, e o pedido veemente de que algo seja feito, qualquer conteúdo seja colocado na cabeça desses jovens vândalos. No coração, algum sentimento bom, prosperidade e respeito com o próximo, no mínimo. Meu protesto, em poucas (eu espero) palavras.
A verdade é que nem penso em seguir carreira política, e no máximo me acomete uma vontade de ser delegada, promotora. Faz justiça com as próprias mãos, e dessa vez no sentido literal da palavra. Quando pensei no Jornalismo como alternativa de graduação, tinha uma paixonite secreta e aguda pelo investigativo, essa corrida quase espacial em descobrir fatos, ouvir pessoas, ligar situações; quase uma Sherlock Holmes na versão feminina, e ainda, divulgar tudo com a pitada cor-de-rosa, mulher poderosa e invencível. E foi no próprio fascinante detetive que tive mais um devaneio, qualquer teoria que já estivesse implementada na massa cinzenta que abriga meu crânio, e eu ainda não exprimi, revelei.
Vim fazendo essa escrita há dias já, e se não postasse, não compartilhasse com quem lê aqui, segue e gosta do blog, não me assumiria tal como vim ao mundo. E como sabem, me amo e assumo sempre; dificilmente fujo dessas aparições do meu real, face oculta. Assisti ao filme antes de ir ao litoral, na companhia do adorável ser insuportável e caótico, que algumas vezes chamo caridosamente de, irmão. Um filme muito bom, minha opinião. Comprido, complicado e muito corrido, a voz masculina dos novos adolescentes. O ponto que tocamos e nos pusemos a dialogar sobre, na volta ao lar, foi sobre o personagem principal. O Sherlock retratado gloriosamente por Robert Downey Jr. é o meu tipo de gente. Ágil, pensamento rápido, mil idéias interligadas em poucos minutos, e uma inteligência sempre posta à prova, adoração magnética pelo perigo, desafio. E de um carisma contagiante. Falas inteligentes, diálogos impertinentes, soltos no ar. A meu ver, inteligência. Na visão masculina, séria e cética, um louco. Uma pessoa doente, cheia de manias extravagantes e de gênio ruim, difícil. Inconstante e escorregadia, nadando sempre em prol dos outros, e na busca de perigos maiores.
A loucura só é possível na felicidade. Às vezes, o que nos parece insano, é completamente compreensível aos olhos do outro. E as pessoas que mais parecem singulares, excêntricas, tal como o mais lido detetive, mundialmente, são de uma sabedoria, uma mente incrível. Incompreendidos, muitos são fadados à solidão. À procura de amores impossível, paixões inalcansáveis e que geralmente estão do outro lado do lago, ou do mar Mediterrâneo mesmo. Mas me exercem um deslumbre sem igual essas loucuras, tais pirações sem controle, que somente vistas de perto possam ser entendidas por completo. Gosto dessa excitação que indivíduos exceção imprimem às vivências, e convivências, colorindo e desmistificando o que é diário, cotidiano; dando essa impressão de medo e coragem, ambiguamente, pintando pontos de interrogação nas questões mais quietinhas, ocultas.
Saí do cinema com uma vontade de casar, até mesmo agora, por que não com aquele Sherlock. Que dividia a cena com o centésimamente mais charmoso, Jude Law. Porém não tão brilhante, nem tão inquieto ou rompante de padrões. Um ser pacato, humilde e sem graça. Mesmo sendo, Jude Law e a essencialidade do charme que exala, ficou bem atrás do detetive despudorado e desconcertante. Milhas, e milhas distante.

1 Comentários:

  1. Não sei bem se estou certa, mais seu texto me fez identificar a escolha difícil entre profissões cuja apreciada é o direito e todas suas leis e códigos a contingência de todos esses fatos levam a pensar no "certo e errado" misturado com a ficção, e o quão seria fácil viver uma vida de cinema, sem ter escolhas tão presentes no nosso futuro.. enfim foi minha interpretação.
    Adorei o texto, muito bem elaborado.
    Se quizer dê uma olhadinha http://helenaotherside.blogspot.com/
    é muito recente, portanto toda opnião, conclusão, ajuda e crítica é sempre muito bem vinda.
    Beijos.
    "Baú de espantos

    ResponderExcluir