Meu melhor amigo, chinelos, calçados e umas teorias

1.14.2010 -




Um dos ganhos que eu posso dizer, que tive no ano que se foi, foi o meu melhor amigo. Ele já era um grande conhecido meu, de uns anos, mas apenas ano passado, com as condições e situações todas favoráveis pra que nos tornassemos mais próximos, nos tornamos realmente, amigos. Logo num ano em que fiz escolhas difíceis, eu recebi uma amizade masculina, mil vezes mais sincera que eu já tive com qualquer outra amiga eterna, colega ou segunda irmã. E sim, o melhor de tudo, é que ele era do sexo masculino e mais: hétero. Teve uns ataques esporádicos comigo, com as minhas atitudes esquizofrênicas, me deu vários toques valiosos, umas dicas, e a gente riu mais do que brigou. Muito mais. Ai ó cabeçudo, tu é o cara mais old schooll e salame que eu já tive oportunidade de usufruir a convivência. Sem polêmica!
Enfim, fiz toda essa introdução, porque era necessária. Numa dessas filosofadas que eu curtia dar diariamente, e meu amigo participava invariavelmente, no caminho de volta para casa, tentávamos descobrir de onde vinha toda essa minha má sorte incalibrável. Mandinga, macumba, simpatia, erros do passado, tudo revisto nas mil linhas e entrelinhas do destino, e ele me disse uma frase que marcou, e eu lembro como se fosse hoje.
O ônibus lotado, num final de dia cansativo e quente, corpos se grudando, três mãos onde cabe apenas uma, segudando aquelas barras de metal, e o horário de rush, pique. Seis da tarde. Alternativas analisadas, e ele me falou "Ah, sossega. Sempre há um pé cansado pra um chinelo velho. Não adianta ficar procurando, quando chegar a hora, vai ser a hora." Pode parecer totalmente óbvio, ou sem muita relevância. Na verdade, para mim, na hora, foi bastante reconfortante. Eu e o meu melhor amigo, que discordávamos mais do que concordávamos, assentimos com a cabeça na hora. E pensei, que de nada ia adiantar, eu beijar por aí uns sapos, se queria na verdade estar com um princípe, digno e acessível do meu lado. E cessei as buscas. Fechei os portos. Depois da frase, continuamos divagando sobre vestibular, e outros assuntos que já eram rotineiros, mas minha mente viajou pra um texto, que nunca tinha até então escrito. Hoje, com saudade do meu melhor amigo, lembrei disso no café da manhã, e corri para escrever aqui.
E ganhei um chinelo novo, no Natal. Mais uma coisa que vocês precisam saber: eu sou apaixonada por havaianas. Admito. Combino com tudo, e a branca, em especial (e que já estava se renomeando, bege), não saia dos meus pés, desde o final do inverno. Nada melhor do que só calçar e sair. Sem alto, para caminhar ereta e confiante, cautelosa (e para mim, gigante). Sem cadarços, para amarrar. Ou velcros, para grudar. Que seja...Pés livres. Havaianas com calça jeans; havaianas com vestidinho; havaianas com macaquinho; havaianas com saia cintura alta, ou short jeans - todas as combinações, se bem combinadas, chique.
Paixão revelada, e novo par de chinelos branquinhos, e slim, meio brilhantes, nos pés, não imaginei que fosse tão difícil se desfazer da minha velha havaianas. Tenho um leve apego emocional com o que é material, como podem já ter visto, e me inspirei novamente.
Fiz uma limpa nos meus calçados, então. E como já foi motivo de demais palavras, da minha complexada e excêntrica, vida. Olha o meu pé. É tão grande, e largo, o dedão é tão maior que os outros dedinhos que quase esmaga. Tenho também aquele quatro dedo, que se sobrepõe sobre o mindinho. Tá vendo?
Fora isso, achar calçados para mim é facílimo. Sempre tem o meu número-lancha. E eu já calcei tantos pés, e relacionamentos, barcas furadas. Teve aquele, que mesmo não servindo, sendo pequeno demais, e nada o meu estilo, eu tentava enfiar no meu pé só porque prometia na caixa, e na propaganda mil e uma conquistas, visibilidade maior e um charme inebriante. Com o tempo, consegui mais bolhas, calos e uma dor maior que o possível, aturável, e dentro da normalidade. Joguei fora.
Teve um outro também, que era mega versátil. Comprei ele em forma de bota, para usar em dias congelantes, e mágica: ele virava chinelo. Usei e abusei dessa versatilidade, em dias escaldantes, numa mulidão lotada, e voltei a usar em dias frios, como minha botinha. Mas ele sumia, sempre. Coloquei várias vezes a culpa na coitada da empregada, mas eu não li direito o manual de montagem, que vinha junto ao sapato louco e a caixa: por ele ser tão diferente, viajante e inconstante, ele vinha com um duende madrinho. Que raptava ele às vezes, e voltava ao sapateiro somente quando era conveniente. Passei então a usá-lo todos os dias e não desgrudar mais do maldito, e ele se tornou tão banal, vi tão de perto os mil defeitos de fabrição desse produto inimaginável, que também, acabou indo para a doação. Foi talvez o mais doloroso de se desfazer, assim como de ser conquistado.
Viciada por sapatos, como toda mulher, e chinelinhos, no verão para mim beiram o paraíso, me entupi dos mais diferenciados. Um outro estrangeiro; um ecológicamente correto - cansativo; um tão tímido e apagado, que nem pra mim, aparecia direito; uns que grudavam e apertavam que me enjoaram logo e machuram meu pé todinho. Já comprei no impulso, e me arrependi mais da metade desses calçados. E como disse o meu melhor amigo, hoje navego quase vazia, contudo com uma fé enorme no bolso.
Meu chinelo novo talvez não seja o ideal, e sei que mais cedo do que eu espero há de aparecer aquele branco, novo, mas não tão novo, moderno e que caiba exatamente no meu pe, já cansado e abatido de tantas caminhadas erradas e calçados estranhos. Nessa caminhada, que é a vida, chega numa etapa que se aproxima de um triatlon, nadei até onde pude; mais velha, encontrei o mundo do amor, relacionamentos, homens e suas estranhezas. E vinha caminhando com o tênis errado, escolha mal feita do meu treinador, que agora eu sei, eu tenho certeza e peço, que vai me presentar, tão logo quanto imagino, com o par de tênis certo, e completo, para dar gás e vitalidade afim de me efetivar para a próxima etapa, o pódio!



3 Comentários:

  1. Se eu disser que sou seu fã numero 1, você deverá começar a acreditar. *-*

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  2. Toc, Toc!
    Adorei ler sua hitória.
    Me indentifiquei muito, eu tambem tenho um melhor amigo, alguns dos meus sapatos machucam meus pé, e ando querendo mais chinelinhos do que salta!
    Estou a te seguir, adorei!

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